À PROCURA DA ALEGRIA

3- A ALEGRIA E A ESTRELA

Uma imensa alegria

Você conhece a história dos Magos, narrada pelo evangelho de São Mateus (Mt 2,1-12). Pode ser até que em criança, nos dias de Natal, tenha colocado e movimentado com carinho as suas figurinhas no presépio.

A viagem dos Magos é um episódio que culmina numa das maiores alegrias de que fala a Bíblia. Chegados a Belém, a estrela que tinham visto no Oriente ia à frente deles, até parar sobre a casa onde estava o Menino. Ao verem de novo a estrela, alegraram-se com uma imensa alegria. Continue reading “À PROCURA DA ALEGRIA”

À PROCURA DA ALEGRIA

2- A ALEGRIA ENTRE ESPELHOS

Estamos entocados? 

Vamos dar mais um passo na nossa expedição à procura da alegria.

Faz já bastantes anos, assisti a um curta-metragem francês. Era a história breve de um egoísta fechado em si mesmo, que um dia descobriu o verdadeiro amor.

Quando isso aconteceu, ele abriu a alma com palavras semelhantes a estas: “Eu era um homem que vivia entocado num quarto rodeado de espelhos. Por todos os lados, só via a minha imagem, o meu “eu”: nas pessoas, no trabalho, nos planos, nos projetos de vida… Apenas enxergava o que eu gostava, o que eu desejava, o que me interessava, o que me oferecia vantagens ou prazer. Pessoas e coisas não passavam de bens consumíveis. Caso não servissem, eu os descartava. Continue reading “À PROCURA DA ALEGRIA”

À PROCURA DA ALEGRIA

1 – A ALEGRIA NO POÇO 

O poço úmido

“Onde estás, meu pobre coração?”, dizia um poeta triste.

A resposta certa, em muitos casos, deveria ser: “Moro no fundo de um poço”. “De que poço?”, perguntaríamos. E eis que uma voz com tom culto responde: “No poço do Leclecq”.

O que é esse enigma? Explico.

O belga Jacques Leclecq, num velho livro sobre o ano litúrgico conta a parábola do homem que morava no fundo de um poço: pequeno, estreito, escuro e úmido. A lama e a umidade eram a sua inseparável companhia. Mas lá estava ele vivendo; melhor dizendo, lá estava definhando.

Um dia sentiu vontade de olhar por cima do poço. Deu um pulinho, pôs as mãos na beirada, fez força ergueu-se um pouco e viu o esplendor da terra: árvores, caminhos a perder de vista no horizonte, montanhas, relva esmaltada dos pastos, flores, pássaros… Após um primeiro deslumbramento, o homem do poço resmungou: – “Tudo isto é muito complicado”. E voltou a encolher-se no fundo do poço. Continue reading “À PROCURA DA ALEGRIA”

À PROCURA DA ALEGRIA

PÓRTICO

Vamos iniciar juntos, leitor, uma expedição à procura da alegria. Todos a desejamos. Todos queremos ser felizes. Mas sabemos por experiência que não é fácil.

Lembro que, faz uns anos, passando uns dias de descanso numa chácara cercada de bosques, gostava de andar pelas trilhas do mato. Com frequência, aparecia uma grande borboleta azul, que fazia questão de voar na minha frente. Ondulava, mas não deixava de me preceder no caminho por um bom trecho. Quando, porém, esperava me aproximar um pouco mais dela, dava uma guinada e se escondia no mato. Continue reading “À PROCURA DA ALEGRIA”

O FUNDADOR DO OPUS DEI EM SÃO PAULO (fioretti-VIII)

 

NOS NOSSOS CORAÇÕES HÁ UM CÉU
Com estas palavras cheias de beleza – «nos nossos corações há habitualmente um Céu» –, São Josemaria expressava o mistério da presença da Santíssima Trindade na alma do cristão.
É força de expressão? É um exagero devoto? Não. É uma das verdades mais fascinantes do cristianismo, que a teologia denomina a “in-habitação da Santíssima Trindade na alma do justo”, ou seja, na alma do batizado que está em graça de Deus.
Foi Cristo quem nos revelou este mistério: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada (Jo 14, 23).  E, falando do Espírito Santo, acrescentou que o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber porque não vê nem o conhece, vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (Jo 14, 17).  Entende-se o entusiasmo com que São Paulo falava desse mistério revelado por Cristo: Não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (1 Cor 3, 16), e repisava: Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus…? (1 Cor 6, 19).
O Pai, o Filho e o Espírito Santo, a Trindade santíssima, única e indivisível, habita na nossa alma em graça como num templo, como no seu próprio lar. São Josemaria saboreava essa verdade com uma fé incandescente, e compreendia, como o entendem os santos, que o mistério da Trindade nos revela que Deus é Amor (I Jo  4, 8), que nos ama e quer viver conosco. Toda “alma enamorada”, como a de Mons. Escrivá, ao vislumbrar esse Amor divino que se une intimamente a nós, vibra de paixão espiritual.
«Este mistério inefável da Trindade! – exclamava São Josemaria em 27 de maio de 1974 –. É inefável, porque não há palavras capazes de explicá-lo. Quando me acontece – e isso ocorre muitas vezes – fazer a oração pensando na Trindade e na Unidade de Deus, e utilizo para tanto tratados de teologia, se surge em mim um vislumbre, uma luz nova, comovo-me e fico contentíssimo … E quando vejo que não entendo nada, fico ainda mais contente. Digo-Lhe: Senhor, que alegria! Que pequeno serias Tu se coubesses nesta pobre cabeça minha! Dá-me muita alegria render a minha inteligência na presença de Deus, sabendo, além disso, que o tenho na minha alma. Aí é onde o procuro…, procurem-no também vocês aí».
Trecho do livro de F. Faus São Josemaria Escrivá no Brasil, Quadrante 2007, págs. 30-31

O FUNDADOR DO OPUS DEI EM SÃO PAULO (fioretti-VII)

O DESCOBRIMENTO DO BRASIL
O padre Antônio Vieira dizia, num sermão de 1669, que «os olhos veem pelo coração». Foi através de seu coração cheio de amor a Deus e de zelo apostólico que São Josemaria, desde que aterrissou nesta terra, viu o Brasil.
Apenas dois dias depois de sua chegada a São Paulo, em 25 de maio de 1972, comentava, num dos primeiros encontros que teve com grupos numerosos de pessoas:
«Faz pouco mais de quarenta e oito horas que estou aqui e já aprendi muito. Aprendi que este país é um país maravilhoso, que há almas ardentes, que há pessoas que valem um tesouro diante de Deus nosso Senhor; que vocês sabem trabalhar e mexer-se; que sabem formar famílias numerosas, recebendo os filhos como o que eles são, um dom de Deus…”
»Tanta terra e tão fecunda, tão formosa! Eu creio que as vossas almas são como esta terra: aqui tudo é generoso, tudo é abundante; os frutos deste país são mais doces, mais fragrantes… E, depois, vocês têm os braços abertos a todo o mundo: aqui não há distinções. Poderíamos repetir palavras da Escritura: gentes de todos os povos aqui encontram a Pátria, uma Pátria amadíssima. Eu já me sinto brasileiro… Meus filhos, tenho um grande remorso; não ter vindo antes ao Brasil».
«O Brasil! – exclamava no Parque Anhembi –. A primeira coisa que eu vi é uma mãe grande, bela, fecunda, terna, que abre os braços a todos, sem distinção de línguas, de raças, de nações, e a todos chama filhos. Grande coisa é o Brasil! Depois, eu vi que vocês se tratam de uma maneira fraterna, e fiquei comovido».
Eram lisonjas amáveis? Não,era muito mais do que isso. São Josemaria queria despertar os corações dos brasileiros que o escutavam para que compreendessem que os grandes dons naturais recebidos de Deus eram, ao mesmo tempo, um fortíssimo apelo para assumir grandes responsabilidades. Por isso, dizia:
– «Esta terra é grande, e precisa de temperamentos grandes em todos os setores, em qualquer tarefa, porque não há tarefa pequena. Então, toca a mexer-se, a fazer muitas coisas boas nesta terra, que é tão feraz.
»No Brasil há muito a fazer – acrescentava, como quem conclama a assumir essa rsponsabilidade −, porque há pessoas precisadas até das coisas mais elementares. Não só de instrução religiosa – há tantos sem batizar! –, como também de elementos de cultura comum. Temos de promovê-los de tal maneira que não haja ninguém sem trabalho, que não haja um ancião que se preocupe porque esteja mal assistido, que não haja um doente que se encontre abandonado, que não haja ninguém com fome e sede de justiça, e que não saiba do valor do sofrimento».
E alargava essas perspectivas cristãs para horizontes espirituais:
«Neste país, naturalmente, vocês abrem os braços a todo o mundo e o recebem com carinho. Eu quereria que isso se convertesse num movimento sobrenatural, num empenho grande de dar a conhecer a Deus a todas as almas; de se unirem, de fazer o bem não só neste grande país, mas no mundo todo. Podem! E devem! E, dado que o Senhor lhes dá os meios, dar-lhes-á também a vontade de trabalhar.
»Vocês têm que fazer sobrenaturalmente o que fazem naturalmente; e depois, levar esse empenho de caridade, de fraternidade, de compreensão, de amor, de espírito cristão a todos os povos da terra. Entendo que o povo brasileiro é e será um grande povo missionário, um grande povo de Deus, e que vocês saberão cantar as grandezas do Senhor por toda a terra».
Textos do livro de F.Faus São Josemaria Escrivá no Brasil, Quadrante 2007.

O FUNDADOR DO OPUS DEI EM SÃO PAULO (fioretti-VI)

A ESCADA DO AMOR
Era o dia 26 de maio de 1974, no Centro de Convívios Sítio da Aroeira, em Santana de Parnaíba.
Na tarde desse dia, após diversas atividades, São Josemaria Escrivá reuniu-se com as suas filhas que se ocupavam da Administração doméstica da casa.
Uma menina de pouca estatura e muita simpatia perguntou-lhe como poderia viver melhor o amor a Deus no cumprimento dos pequenos deveres do trabalho cotidiano, das “coisas pequenas”.
«Minha filha – respondeu-lhe −, o Opus Dei, como todas as coisas grandes, está feito de coisas pequenas».
  Lá estava também o pe. Álvaro del Portillo (beatificado em 27 de setembro de 2014), que apontou sorrindo para ela dizendo-lhe que ela era uma dessas coisas pequenas de que o Opus Dei está feito. Isso deu pé para que São Josemaria traçasse um belo panorama de santidade:
– «Muito pequenina de estatura…, mas vocês são muito grandes. Tem muita importância o que é pequeno, minha filha. Também estes edifícios grandes de São Paulo estão feitos na base de grãozinhos de cimento, de areia, de peças de ferro… Tudo tem muita importância… Você procure “estar” nos detalhes, porque são o que temos ao alcance da mão. Você, ainda que seja um “toquinho” assim, está subindo uma escada. Temos a escada do amor, minhas filhas: façam as coisas por amor a Jesus Cristo, para ajudá-lo a carregar a Santa Cruz, nesta terra de Santa Cruz; façam por amor a Santa Maria. E então o pequeno se torna grande, e você já não é mais um “toquinho”, mas está tocando o Céu com a cabeça”.
No dia seguinte, 27 de maio, São Josemaria falava a um grupo de universitários e, com outras palavras, transmitia-lhes a mesma mensagem:
– «Amar a Deus – dizia – não é difícil. Há alguns que pensam que Deus está longe, longe, longe … Deus está no nosso trabalho cotidiano, no de cada qual, no que fazemos com a cabeça ou com as mãos. Deus está no cumprimento do dever pessoal e das obrigações próprias de cada estado de vida. Deus nosso Senhor, que é um Pai  – um Pai boníssimo!  –, olha para nós com um carinho imenso. E não só não está longe, mas está perto, tão perto que o temos dentro de nós mesmos, no centro da nossa alma em graça, enquanto procuramos viver em seu Amor».
Textos extraídos do livro de F. Faus São Josemaria Escrivá no Brasil, Quadrante 2007, pág.92

O FUNDADOR DO OPUS DEI EM SÃO PAULO (fioretti-V)

O CARVÃO E O RUBI
Na noite de um para dois de junho de 1974, véspera de Pentecostes, São Josemaria, por causa de uma indisposição física, não conseguiu dormir quase nada. É natural que um homem de setenta e dois anos, com a saúde fragilizada, depois de uma noite em claro, tenha acordado sentindo uma grande fadiga.
Justamente para essa manhã de Pentecostes estava programada uma ampla reunião para centenas de pessoas de todas as idades – homens e mulheres, solteiros e casados, anciãos e adolescentes… –, que teria lugar no auditório do Palácio Mauá, na Praça João Mendes de São Paulo.
Mal começou a “tertúlia”, vários dos assistentes ficaram assombrados ao verificar que nunca tinham visto Mons. Escrivá tão bem disposto, transbordante de vitalidade e alegria, ágil de pensamento e de palavra.
Tinha-se a impressão de que o Espírito Santo, na sua grande solenidade, quis aquecer-lhe a alma com “o fogo do seu amor”.
Foi uma manhã de diálogo animadíssimo, em que muitos perguntavam ao Padre e ele respondia, transmitindo alegria, bom humor e luzes de Deus. Vamos lembrar agora somente um desses diálogos, como amostra do que foi aquele encontro inesquecível.
Levantou-se um juiz, e perguntou-lhe qual seria o melhor modo de ajudar os outros a se aproximarem de Deus:
  – «Meu filho – foi a resposta −, que bom dia hoje para falarmos disso! É verdadeiramente o Espírito Santo quem coloca no seu coração e na sua boca essa pergunta».
São Josemaria espraiou-se, então, numa resposta que mostrava um traço essencial da mensagem do Opus Dei:  recordou-lhe que é dever de todos os cristãos comuns –  de todos! – procurar a santidade e o apostolado no meio do mundo; e fez-lhe ver que, por outro lado, o apostolado só pode ser eficaz se for um ”transbordamento” da vida interior, do amor de Deus. A resposta, um tanto longa, densa de doutrina, terminou com uma comparação:
«Todos os cristãos temos a obrigação de ser apóstolos. Todos os cristãos temos a obrigação de levar o fogo de Cristo a outros corações. Todos os cristãos temos que fazer com que se alastre a fogueira da nossa alma.
»Olhe, você e eu somos pouca coisa … No fundo do meu coração, vejo-me como uma espécie de nada. Vamos dizê-lo com uma comparação: vejo-me a mim mesmo como um carvão que nada vale: preto, escuro, feio… Mas o carvão, metido no fogo, se acende e se converte numa brasa: parece um rubi esplêndido. Além disso, dá calor e luz: é como uma joia reluzente. E caso se apague? Outra vez carvão! E caso se consuma? Um punhadinho de cinza, nada.
»Meu filho, você e eu temos de inflamar-nos no desejo e na realidade de levar a luz de Cristo, a alegria de Cristo, as dores e a salvação de Cristo a tantas almas de colegas, de amigos, de parentes, de conhecidos, de desconhecidos – sejam quais forem as suas opiniões em coisas da terra –, para dar a todos um abraço fraterno. Então, seremos rubi aceso, e deixaremos de ser esse nada, esse carvão pobre e miserável, para sermos voz de Deus, luz de Deus, fogo de Pentecostes!»
Adaptado de trechos do livro de F. Faus São Josemaria Escrivá no Brasil,  Quadrante 2007, pp. 31 a 35

O FUNDADOR DO OPUS DEI EM SÃO PAULO (fioretti-IV)

UM CARTÃO E UMA TALHA
O relógio marcava meio-dia. Aquela manhã de junho de 1974 tinha a suavidade aconchegante do sol de inverno em São Paulo. São Josemaria regressava ao Centro Universitário do Sumaré – onde residiu durante a sua estadia no Brasil – após uma hora de reunião familiar (“tertúlia”) com um grupo de suas filhas brasileiras.
Faltava ainda um tempo para o almoço e alguém teve a ideia de convidá-lo a visitar uma ala de escritórios do edifício, que ainda não conhecia. Foi aí que apareceu o cartão. Porque tudo começou com um cartão de Natal colocado a um canto da mesa de um pequeno escritório. Era um cartão canadense de Boas Festas, com a reprodução fotográfica de uma talha em madeira da Sagrada Família sobre um fundo verde escuro: os três − Jesus, Maria e José – caminhando; o Menino no meio, de mãos dadas com a Mãe e São José.
Essa imagem atraiu logo São Josemaria; e ali ficou, sentado à mesa, enquanto contemplava encantado as três figuras.
Todos sabíamos do arraigado amor do Fundador do Opus Dei à Sagrada Família, que vinha crescendo ao longo da sua vida como uma maré impetuosa de devoção, carinho e delicadezas. Mal desembarcou no Brasil confidenciou o propósito espiritual que tinha feito para aquele mês de maio: ir «a Jesus, por Maria, com José».
De repente, um dos presentes lembrou-se de mencionar uma talha de madeira da Sagrada Família, de quase meio metro de altura, que se conservava naquela casa à espera do destino definitivo em outro Centro. Bastaram uns momentos para que aquela imagem de Jesus, Maria e José, caminhando de mãos dadas como as do cartão, repousasse sobre a mesa diante do santo.
Punha os olhos, cativado, em cada uma das três figuras, beijava-as, acariciava-as com as mãos. Transparecia nessas atitudes a fé enamorada com que tratava habitualmente, dia e noite, com Jesus, Maria e José. Muitas vezes lhe tínhamos ouvido que seu desejo seria «estar sempre com os três».
Foi uma bela lição de piedade pessoal, e um lembrete vivo – para os que o conhecíamos e meditávamos as suas obras – das luzes que, desde 1928, não se cansou de difundir e que cumularam de fé e ideal muitos corações de cristãos correntes, de “cidadãos comuns”. Deus pode e deve ser encontrado na vida diária – vida de família, de trabalho, de amizades – como a que viveu durante trinta anos a Sagrada Família. E ali, no trabalho e nos deveres cotidianos, “vulgares”, podem ser alcançados os cumes da santidade, os mais altos patamares do Amor cristão.
«Jesus – tinha escrito −, crescendo e vivendo como um de nós, revela-nos que a existência humana, a vida comum de cada dia, tem um sentido divino. Por muito que tenhamos considerado essas verdades, devemos encher-nos sempre de admiração ao pensar nos trinta anos de obscuridade que constituem a maior parte da vida de Jesus entre seus irmãos, os homens. Anos de sombra, mas, para nós, claros como o sol. Mais: resplendor que ilumina os nossos dias e que lhes dá uma autêntica projeção» (É Cristo que passa, n. 14).
A imagem de papel e a imagem de madeira foram um farol que projetava nos que o viam e ouviam o cerne da mensagem do Fundador do Opus Dei: que Deus chama todos os batizados à santidade, e que a vida cotidiana, corriqueira, comum, vivida na presença de Deus, colocando amor nos detalhes diários, pode e deve ser um luminoso caminho de santidade.
Adaptado do livro de F. Faus São Josemaria Escrivá no Brasil, Quadrante 2007, págs. 43-45

O FUNDADOR DO OPUS DEI EM SÃO PAULO (fioretti-III)

LUZES NA NOITE DA VIDA
São Josemaria acabava de celebrar a Santa Missa no Centro de Estudos Universitários do Sumaré. Como de outras vezes, ficou ajoelhado num genuflexório, do lado esquerdo do presbitério, para fazer a ação de graças. Após alguns segundos de silêncio, sua oração pessoal começou a fluir em voz alta:
– «Temos de confessar o nosso nada. Senhor, eu não posso, não valho, não sei, não tenho, não sou nada. Mas Tu és tudo, e eu sou teu filho e teu irmão».
Sentia-se um pobre carente de tudo, mas um pobre agasalhado por aquele Amor generoso  – Deus  – que derrama em nós, por pura misericórdia, as riquezas espirituais da Comunhão dos Santos, o tesouro dos méritos e orações de Cristo e dos santos, que Ele põe à nossa disposição. E, por isso, continuava a dizer:
– «Mas posso tomar, Jesus, os teus méritos infinitos, os merecimentos de tua Mãe e os do Patriarca São José, meu Pai e Senhor; e as virtudes dos santos, e o ouro os meus filhos…»
“O ouro”… Queria apoiar-se nas virtudes dos seus filhos no Opus Dei, com as quais sentia-se rico e forte. E as dele? E ele? Nada reconhecia de bom em si? Algo via, sim, mas perecia-lhe tão pouco…:
– …«e as pequenas luzes que brilham na noite da minha vida, pela misericórdia infinita de Deus e a minha pouca correspondência».
Bem convencido disso, acrescentava, falando em linha direta com Jesus:
– «Aumenta-nos a fé, a esperança e o amor. Porque temos de viver de amor, e só Tu nos podes dar essas virtudes».
E concluía com um ato de humilde e candente confiança:
– «Senhor, ainda que a minha pobre vida seja tão miserável como a do filho pródigo…, eu volto, voltarei sempre, Senhor, porque te amo! Não me abandones!».

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