MARIA: 5 – UM CORAÇÃO MATERNO

MARIA:  5 – UM CORAÇÃO MATERNO

O coração de Maria

Chegou um dia em que a presença de Maria deixou de ser visível aos olhos de seus filhos. Deus a chamou a Si. João, o discípulo-filho por excelência, a vislumbrará então gloriosa – Mãe, sempre Mãe – no céu. Assim descreve a sua visão no livro do Apocalipse: Depois, apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Estava grávida e clamava com dores de parto… (Apoc 12, 1-2).

Adivinha-se nesta imagem celeste a Virgem-Mãe, aquela que víamos associada ao sacrifício de Jesus, dando à luz com dor os filhos de Deus, ou seja, a cada um de nós. A visão de São João mostra-nos que, desde que foi glorificada no céu – Rainha coroada de estrelas –, Maria continua a ser até o fim dos séculos Mãe de todos os homens, dos que são filhos de Deus e irmãos de Jesus Cristo. Continue reading “MARIA: 5 – UM CORAÇÃO MATERNO”

MARIA: 4 – AO PÉ DA CRUZ

MARIA: 4 – MARIA AO PÉ DA CRUZ 

Maria na hora-cume da nossa Redenção

Caná é o início da vida pública de Cristo. O sacrifício da Cruz é o seu fecho e a sua culminação. Procuremos agora aproximar-nos do coração de Maria e tentemos captar o que “Maria guardava no coração” naquela hora em que a salvação da humanidade se consumava por meio do sacrifício redentor de Jesus Cristo.

São João descreve a presença de Maria ao pé da Cruz, junto das santas mulheres, com uma palavra cheia de têmpera: stabat. Literalmente, também no original grego, significa “estar firme, de pé”. Mas o termo indica muito mais do que uma simples postura corporal. A expressão original empregada pelo Evangelho sugere um conteúdo moral, isto é, que Maria acompanhava o sofrimento do Filho com fortaleza de alma; e que, no seu coração, havia firmeza e plena adesão. Continue reading “MARIA: 4 – AO PÉ DA CRUZ”

MARIA: 3 – A INTERCESSÃO DE MARIA

MARIA: 3- A INTERCESSÃO DE MARIA

Um coração que “vê”

São João conta, no seu Evangelho, que Jesus foi convidado, juntamente com sua Mãe, a uma festa de bodas em Caná. Era recente ainda a vocação dos Apóstolos, mas já acompanhavam o Mestre e, conforme o costume da época, foram convidados também para o casamento (cf. Jo 2, 1-11).

A cena é conhecida. Num dado momento da ruidosa festa campesina, fica faltando vinho. Ninguém o percebe. Ninguém, a não ser Maria. Com delicada intuição, pressente que a alegria dos esposos pode ficar toldada por uma imprevidência. Maria faz “seu” o problema, assume-o com sensibilidade materna, com um interesse impregnado de coração. E não hesita em falar confiadamente a Jesus: Eles não têm vinho. Continue reading “MARIA: 3 – A INTERCESSÃO DE MARIA”

MARIA: 2 – DEUS FALA DE MARIA

MARIA: 2- DEUS FALA DE MARIA

Uma cena de delicada caridade

O Evangelho fala relativamente pouco da Mãe de Jesus. Os textos extensos referem-se, principalmente, à concepção, nascimento e infância de Cristo. No entanto, se o Evangelho fala pouco, diz muito, diz muito mais do que imaginamos.

Nesta meditação começaremos refletindo sobre um trecho muito rico do  Evangelho de São Lucas, guiados pelo desejo de captar o que Deus nos quer revelar acerca de Maria. Ao mesmo tempo, poderemos verificar se a devoção a Maria, tal como a vivem os fiéis católicos, está em sintonia com a Palavra de Deus. Continue reading “MARIA: 2 – DEUS FALA DE MARIA”

MARIA: 1 – POR QUE DEVOÇÃO A MARIA?

MARIA: 1- POR QUE A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA?

A voz de Cristo moribundo

Faltavam apenas alguns minutos para que Cristo, no alto da Cruz, entregasse a sua alma ao Pai. Seu olhar inclinou-se para baixo e buscou primeiro os olhos de sua Mãe; depois, desviou-se para João, o discípulo amado. Os seus lábios esforçaram-se então por articular umas poucas palavras. Estava exausto, agonizante, mas queria falar. A sua voz enfraquecida esforçava-se por dizer exatamente o que Ele, o Filho de Deus, queria dizer naquele momento em que se consumava a Redenção dos homens.

Vendo Jesus a sua Mãe e junto dela o discípulo que ele amava, disse à sua Mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe. E, desta hora em diante, o discípulo a levou para sua casa (Jo 19, 26-27). Continue reading “MARIA: 1 – POR QUE DEVOÇÃO A MARIA?”

EXEMPLO: 4 – O BOM PASTOR

EXEMPLO – 4- O BOM PASTOR

Passos que assinalam o caminho

Na bela parábola do Bom Pastor, Cristo reúne mensagens cheias de riqueza espiritual. É claro que a parábola é, em primeiro lugar, um autorretrato de Cristo – o bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 11) –  e, em segundo lugar, uma pauta para os pastores da Igreja. Mas as ricas virtualidades da palavra de Cristo atingem a todos, e, assim, a imagem do pastor que depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora do aprisco, vai na frente delas, assinalando-lhes o caminho com seus próprios passos, e as conduz à pastagem  (cfr. Jo 10, 3 e 4) é especialmente ilustrativa para os que têm o dever de educar. Continue reading “EXEMPLO: 4 – O BOM PASTOR”

EXEMPLO: 3 – A IMAGEM DO FERMENTO

EXEMPLO 3 − A IMAGEM DO FERMENTO 

O fermento na massa 

O Reino dos céus é comparável ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa (Mat 13, 33).

Esta imagem é importante, sobretudo nos tempos atuais. Lembra-nos que o mundo é uma “massa” quase inteiramente carente da qualidade do bom pão das virtudes cristãs, e do sabor – do sentido − da Verdade divina e da Lei de Deus. Por isso, o exemplo dos cristãos responsáveis (pais, mestres, padres) neste ambiente atual, é decisivo. Para transformar a massa em pão de Deus, o fermento precisa de ter uma força e uma eficácia que sejam capazes de mudá-la: uma força que só Cristo pode dar. Continue reading “EXEMPLO: 3 – A IMAGEM DO FERMENTO”

EXEMPLO: 2 – O SAL DA TERRA

O EXEMPLO: 2- O SAL DA TERRA 

Ser sal da terra 

Vós sois o sal da terra. Se o sal perder o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens (Mt 5, 13).

Os ouvintes de Cristo podiam entender estas palavras, como nós também, pois sabemos qual é a utilidade do sal. Resume-o com simplicidade este pensamento de São Josemaria Escrivá: «Tu é sal … “O sal é bom”, lê-se no Santo Evangelho; “mas se ele perder o seu sabor… não servirá nem para a terra nem para adubo,mas será lançado fora”. Tu é sal, alma de apóstolo. Mas se te desvirtuas…»[1].

Há pessoas que, tendo uma vida comum, igual à de muitos outros, dão a tudo o que dizem e fazem o toque de um “sabor” diferente. Os que com eles convivem e se relacionam captam, talvez de modo inconsciente, que tudo neles é atraente, porque está condimentado pela bondade, pelo amor, pela caridade, pela lealdade, pela serenidade, pela fé. Admiram-nas. Gostariam de ser como elas.  Continue reading “EXEMPLO: 2 – O SAL DA TERRA”

EXEMPLO: 1 – LUZ DO MUNDO

EXEMPLO: 1- LUZ DO MUNDO 

Jesus fala da força do exemplo

Vós sois a luz do mundo [...]. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mt 5, 14.16).

A luz entra pelos olhos. O que os olhos enxergam em plena claridade fala por si, não precisa de palavras nem, muito menos, de “palavreado” para se explicar.

Assim é o bom exemplo, e assim o apreciaram sempre os grandes homens, sobretudo os santos. Já Santo Inácio de Antioquia, o bispo mártir do século II, enquanto era conduzido a Roma para sofrer martírio, escrevia aos Efésios: «É melhor calar-se e ser do que falar e não ser. É maravilhoso ensinar, quando se faz o que se diz [...]. Aquele que compreende verdadeiramente a palavra de Jesus pode entender o seu silêncio [ou seja, o que "diz", sem palavras, o seu exemplo];  e então será perfeito, porque atuará de acordo com a sua palavra, e se manifestará também mediante o seu silêncio [ou seja, mediante o que faz sem falar]»[1].

O doce Santo Antônio de Pádua adotava um tom santamente irado quando falava do exemplo: «É viva a palavra quando são as ações que falam. Cessem, peço, os discursos, falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras» [2]. Hoje, a pedagogia insiste cada vez mais no valor insubstituível da chamada educação invisível [3]; da força exemplar das convicções e das atitudes que as encarnam:

A imagem da luz é simples. A boa luz permite enxergar bem, sem confusões; mostra perigos que a sombra ocultaria; ilumina referenciais da paisagem e dos caminhos que a noite encobriria; a luz também aquece, estimula a vitalidade e favorece a alegria. Poderíamos dizer que os que irradiam a claridade do bom exemplo têm todas essas características da luz.

Eu sou luz ou sombra? 

Tendo isso em mente, tentemos fazer o nosso exame de consciência, partindo de uma pergunta desafiadora. Eu sou luz ou sombra? Você quer enfrentá-la com coragem? Pois, então, veja, só para exemplificar, alguns flashes esclarecedores, que lhe podem da a resposta.

–  Se eu sou uma pessoa sincera, constante, organizada, leal à palavra dada e fiel aos compromissos, sou luz. Os outros – filhos alunos, etc. – , junto de mim, veem claro o que é certo e sentem-se incentivados a imitá-lo.

–  Mas se sou pessoa mentirosa, inconstante, desordenada e volúvel, sou sombra. Os que dependem de mim ficam confusos, inseguros, não conseguem avaliar o alcance das minhas palavras, das minhas atitudes, das minhas promessas; em suma, não podem contar comigo como um farol orientador nem como um apoio.

–  Se eu sou pessoa com ideais nobres e definidos na vida, pessoa que tem valores positivos – ânsias de bondade e de bem – , que vibra com eles, que procura praticá-los; se sou pessoa cheia de fé e de esperança e posso dizer, como Jesus, eu sei de onde venho e para onde vou, então eu sou luz, mais ainda, sou reflexo da Luz com maiúscula, sou sinalização divina, foco cristão que orientará outras vidas.

–  Mas se sou pessoa cética, agnóstica, cheia de incertezas e de pessimismo, convencida de que neste mundo nada há de bom, tudo é interesseiro, os valores são imaginários e os ideais tolices; se me julgo realista porque capitulo perante os interesses egoístas da terra e sou incapaz de ver, além deles, outra finalidade para a vida, então sou uma sombra mais daninha que uma cascavel oculta no armário, e as primeiras vítimas podem ser os que mais amo.

–  Se eu sou um lutador que detesta o conformismo e a acomodação, se tenho um coração que sempre quer puxar a vida para patamares mais elevados e perfeitos – para aspirações nobres, para virtudes, para maiores quilates de amor e amizade –  ; se eu detesto a mediocridade, se vibro com ânsias de justiça, se arquiteto sonhos realistas para tornar o mundo mais fraterno e belo e os demais mais felizes, então, com certeza, sou luz.

–  Se, porém, cochilo na rede da canseira moral e do desencanto; se resmungo mais do que animo, se tenho alma, coração, atitudes, palavras e gestos desbotados pela frustração; se faço troça dos “sonhadores”, se tenho pena dos que “ainda” acreditam no amor, na verdade, na justiça e no bem, então eu sou, com certeza, uma treva miserável.

–  Se eu vejo, antes de mais nada, o lado positivo das coisas; se os meus comentários, em casa e fora de casa, sem serem ingênuos, são sempre estimulantes; se sou conhecido como aquela pessoa que sempre acolhe, que sempre está disposta a ajudar, que sempre anima, que sempre sorri, que alegra qualquer ambiente, então eu sou uma luz que concentra as sete cores da alegria.

–  Mas se pertenço ao rol daqueles que, mal aparecem em casa, ou se sentam à mesa, ou entram na sala de aula, iniciam uma nova era glacial, apagam o sorriso dos outros (“fechou o tempo” – dizem deles); se a minha característica é a irritação, a impaciência e o mau humor; se reclamo de tudo e de todos; se acho tudo ruim; se não agradeço nada; se tenho pena de mim mesmo e ando com complexo de vítima, então, meu amigo, então eu sou uma sombra pior que as que o Dante pinta no Inferno.

Guardemos essas amostras e passemos – na semana que vem − para uma segunda imagem.

 

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: A força do exemplo

 

 



[1] Carta aos Efésios, n. 15

[2] Sermões, I, 226

[3] Víctor García Hoz, obra citada.

QUARESMA: 10 – UNIDOS À CRUZ REDENTORA

10 – UNIDOS À CRUZ REDENTORA

A cruz que faz “corredimir”

Há umas palavras de São Paulo que encerram um grande mistério, ou seja, que encerram uma verdade muito sobrenatural e profunda sobre a vida nova do cristão. São as seguintes: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. Completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja” (Cl 1, 24).

A rigor, nada falta à Paixão de Cristo, pois o sacrifício de Jesus mereceu infinitamente a redenção de todos os crimes e pecados do mundo. Mas o Senhor quis que os cristãos, membros do seu Corpo Místico, “outros Cristos”, pudessem associar-se ao seu sofrimento redentor, unindo a ele os seus próprios padecimentos.

Na Carta Apostólica “O sentido cristão do sofrimento” (“Salvifici doloris”), o Papa João Paulo II, desenvolve uma bela reflexão sobre esta verdade: «O Redentor sofreu em lugar do homem e em favor do homem. Todo homem tem a sua participação na Redenção. E cada um dos homens é também chamado a participar daquele sofrimento, por meio do qual se realizou a Redenção; é chamado a participar daquele sofrimento por meio do qual foi redimido também todo o sofrimento humano. Realizando a Redenção mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao nível da Redenção. Por isso, todos os homens, com o seu sofrimento, podem tornar-se participantes do sofrimento redentor de Cristo» (n. 19).

E, mais adiante, glosando a frase de São Paulo que agora meditamos, este Papa santo complementava essa reflexão: «O sofrimento de Cristo criou o bem da Redenção do mundo. Este bem é em si mesmo inexaurível e infinito. Ninguém lhe pode acrescentar coisa alguma. Ao mesmo tempo, porém, Cristo, no mistério da Igreja, que é o seu Corpo, em certo sentido abriu o próprio sofrimento redentor a todo o sofrimento humano. Na medida em que o homem se torna participante dos sofrimentos de Cristo –em qualquer parte do mundo e em qualquer momento da história—tanto mais ele completa, a seu modo, aquele sofrimento, mediante o qual Cristo operou a Redenção do mundo» (n. 24).

Neste mundo em que, ao lado de tantas bênçãos de Deus e tantas almas boas, se deixam sentir com força os ventos e tempestades do pecado, as almas generosas que sofrem com amor, unidas ao Senhor, são como que “outros Cristos”, que contrabalançam com a sua “Cruz” o peso dos crimes do mundo. Tornados eles próprios uma só coisa com Cristo sofredor, são esses homens e mulheres bons –os santos, os mártires, os inocentes, os doentes, as crianças, os “humilhados e ofendidos”… – os que mantêm no mundo, como uma tocha acesa, a esperança da salvação. Uma só mulher humilde que oferece, na sua cama de hospital, seus sofrimentos a Deus, faz mais pelo bem do mundo do que muitos dos que o governam.

Estamos perante a dimensão mais alta a que a Cruz elevou as dores humanas.

Que alegria podermos dizer como São Paulo: “Estou pregado à Cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim!” (Gál 2, 19-20). Que alegria poder ter nos lábios e no coração as mesmas palavras de Cristo: “Eu vim para servir e dar a vida para a redenção de muitos!” (Mat 20,28).

Com esta visão grandiosa da fé, entendem-se os ardores dos santos. “Não peças perdão a Jesus apenas de tuas culpas –dizia São Josemaria –; não O ames com o teu coração somente… Desagrava-O por todas as ofensas que Lhe têm feito, que Lhe fazem e que Lhe hão de fazer…; ama-O com toda a força de todos os corações de todos os homens que mais O tenham amado…”. “Que importa padecer, se se padece por consolar, para dar gosto a Deus Nosso Senhor, com espírito de reparação, unido a Ele na Cruz…, numa palavra: se se padece por Amor?[1]

Agora já não nos parece estranha a sede de Cruz, de sofrimento, que tinham os grandes santos; um desejo que não era doentio, mas uma “chama viva de amor”, que lhes fazia ter ânsias de identificar-se com Jesus na Cruz.

É paradigmática a cena de São Francisco de Assis no Monte Alverne. Era a manhã de 14 de setembro de 1224, festa da exaltação da Santa Cruz. Retirado nas solidões dos Apeninos, o Poverello rezava ajoelhado diante da sua cela, antes de que raiasse a alva. Tinha as mãos elevadas e os braços estendidos, e pedia: «Ó Senhor Jesus, há duas graças que eu te pediria conceder-me antes de morrer. A primeira é esta: que na minha alma e no meu corpo, tanto quanto possível, eu possa sentir os sofrimentos que tu, meu doce Jesus, tiveste que sofrer na tua cruel Paixão! E o segundo favor que desejaria receber é o seguinte: que, tanto quanto possível, possa sentir em meu corpo esse amor desmedido em que tu ardias, tu, o Filho de Deus, e que te levou a querer sofrer tantas penas por nós, miseráveis pecadores».

A sua oração foi ouvida. Um serafim, que trazia em si a imagem de um crucificado, imprimiu-lhe as chagas de Cristo nas mãos, nos pés e no lado. Francisco, até no corpo, tornou-se visivelmente “outro Cristo”[2].

 

Trecho do livro de F. Faus A saberdoria da Cruz

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Ano da misericórdia

Ao pé da cruz – diz o Papa Francisco –, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor, é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem O crucificou, mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus (Bula Misericordiae vultus, n. 24)



[1] Caminho, nn. 402 e 182

[2] Fioretti de São Francisco, 3 a. consideração, e Vita prima de Tomás de Celano

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