1-PACIÊNCIA: O ESTOJO AVELUDADO

1-A PACIÊNCIA: O ESTOJO AVELUDADO

Um suave estojo

Se olharmos com sinceridade para dentro de nós, é bem possível que descubramos que um dos nossos desejos mais íntimos é que o mundo (a vida, as coisas, os acontecimentos e as pessoas) funcione como um estojo aveludado e perfeitamente modelado, em que se encaixem sempre suavemente, sem colisões nem atritos, os nossos sonhos, os nossos desejos, os nossos caprichos, as nossas manias e até mesmo os nossos defeitos. Continue reading “1-PACIÊNCIA: O ESTOJO AVELUDADO”

DIFICULDADES-11: MESTRAS DE ESPERANÇA

DIFICULDADES-11: AS DIFICULDADES ENSINAM ESPERANÇA

Mestras de esperança

Nesta última meditação, consideraremos um quarto benefício das dificuldades, que não é certamente o menor.

É bem verdade que as dificuldades – como víamos – são um bom desafio, que nos convida a ultrapassar os nossos “limites”, mas também é certo que são com frequência uma comprovação evidente da limitação das nossas forças.

Nem todas as dificuldades são facilmente superáveis, mesmo havendo a melhor das boas vontades. É perfeitamente plausível imaginar um leitor que, após ter tentado sinceramente praticar os conselhos que se recolhem nas meditações anteriores, venha de asa caída dizer: – “Esforcei-me, procurei encarar as dificuldades com espírito esportivo, mas não estou conseguindo senão sucessos muito parciais e fracassos muito frequentes. O ideal das virtudes cristãs é uma montanha, e falta-me fôlego para galgar a encosta”. Continue reading “DIFICULDADES-11: MESTRAS DE ESPERANÇA”

DIFICULDADES-10: A LUTA PURIFICA

DIFICULDADES-10: AS DIFICULDADES NOS PURIFICAM

A luta que purifica

Há mais um benefício que as dificuldades nos proporcionam, quando sabemos enfrentá-las com grandeza de espírito.

Não creio que nenhum de nós tenha a pretensão de ser “puro”. Por pouco que nos conheçamos, temos a consciência de que mesmo as nossas melhores qualidades andam misturadas com “impurezas”, isto é, com deficiências, imperfeições e defeitos. Dentro dos nossos ideais mais elevados, não raro se encontram sombras de vaidade ou ambição. O próprio afeto que dedicamos aos outros apresenta ainda “rebarbas” de egoísmo. E até a nossa vida religiosa não deixa de estar sombreada por interesses menos puros: desejamos amar a Deus, mas ainda o procuramos demais como “instrumento” do nosso bem-estar interior; não o amamos por Ele, com puro amor. Continue reading “DIFICULDADES-10: A LUTA PURIFICA”

DIFICULDADES-9: AS METAS

DIFICULDADES-9: DIFICULDADES E METAS

Duas fraquezas

É importante que nos apercebamos de que existem no homem duas espécies de fraqueza, muito diferentes entre si: uma é a fraqueza natural – que poderíamos chamar sadia –, e que é própria das limitações de todo o ser humano (a fraqueza que também os santos experimentam); e outra é a fraqueza doentia, que resulta da apatia moral, da falta de ideais ou de luta por alcançá-los. Esta fraqueza doentia é a que deixa o homem desarmado perante os valores morais. As mesmas dificuldades que para o homem moralmente sadio são corriqueiras, que não passam de pequenas lutas diárias que se aceitam com naturalidade, para o doentio são intoleráveis, da mesma forma que o alimento sadio é insuportável para o estômago enfermo. Continue reading “DIFICULDADES-9: AS METAS”

DIFICULDADES-8: FAZEM CRESCER

DIFICULDADES-8: AS DIFICULDADES FAZEM CRESCER

Crescer nas dificuldades

Um dos muitos benefícios que as dificuldades nos proporcionam é que elas nos ajudam a crescer. Isso já podíamos deduzi-lo das meditações anteriores, mas vale a pena focalizá-lo de modo particular.

É um fato evidente que não cresce aquele que fica detido num ritmo espiritual de simples manutenção das suas virtudes e qualidades. Não são poucos os homens parados que – como o equilibrista – se mantêm na corda bamba de uma “certa bondade”, mas não avançam um só passo. Os anos vão passando, eles continuam a ser bons, mas estão sempre na mesma. Na mesma aparentemente, porque a alma nunca pode “ficar na mesma”. Há um velho adágio cristão, cheio de sabedoria e experiência, que afirma que, na vida espiritual, “não avançar é retroceder”. Continue reading “DIFICULDADES-8: FAZEM CRESCER”

DIFICULDADES-7: PARA CONHECER-NOS

DIFICULDADES-7: CONHECER-SE NAS DIFICULDADES

As provas nos mostram como somos

Santo Agostinho, que possuía uma vasta experiência pessoal nesta matéria, tem toda a razão ao dizer que “ninguém se conhece a si mesmo se não for tentado”.

Aí temos, por exemplo, o caso de uma professora que sempre se julgou aberta e compreensiva, inclinada a relevar as faltas de alunos e colegas. Costumava dizer: “Todos somos humanos, todos temos defeitos, é preciso saber compreender e desculpar a todos”. E de fato, tinha uma afabilidade proverbial. Até que um belo dia começou a perceber alguma coisa estranha na escola: não mais a convocavam para reuniões de estudo e planejamento; alegando desculpas, tiraram-lhe uma das classes; percebia cochichos na sala de professores, que se calavam mal ela aparecia no local… Pouco demorou a perceber a manobra. Estavam armando uma intriga para “encostá-la” e colocar outra em seu lugar. A “panelinha dominante” tirava-lhe o tapete de sob os pés. Continue reading “DIFICULDADES-7: PARA CONHECER-NOS”

DIFICULDADES-6: AS TENTAÇÕES

DIFICULDADES-6: AS TENTAÇÕES

A tentação é uma “prova”

As tentações nos experimentam. Este é, perante a nossa consciência, o sentido das tentações que nos assaltam. Pelo menos, é um dos seus principais significados positivos, dentro dos planos de Deus.

Entendemos por tentação tudo aquilo que, vindo de dentro ou de fora de nós, nos incita à prática – por pensamentos, palavras, ações ou omissões – de um mal moral, de um pecado.

Mas a circunstância de a tentação nos inclinar para o mal não significa que ela – quer proceda dos nossos desejos desordenados, quer de outras pessoas, quer do tentador – seja algo negativo aos olhos de Deus. Continue reading “DIFICULDADES-6: AS TENTAÇÕES”

DIFICULDADES-5: AS DIFICULDADES OBJETIVAS

DIFICULDADES-5: AS DIFICULDADES OBJETIVAS

Nem tudo é subjetivo

Nem todas as nossas dificuldades são subjetivas, fruto da imaginação egoísta e do coração estreito.

Existem dificuldades objetivas, e não somente existem como são uma permanente presença no caminho da nossa vida, em cada um dos seus passos. E é natural que seja assim.

A existência humana é dinâmica. O progresso é lei da nossa vida, porque não estamos “feitos” de uma vez por todas, mas avançamos passo a passo, ao longo dos nossos dias, rumo à nossa plenitude. Isto exige uma contínua superação, uma vez que avançar não é dar voltas ao redor do mesmo ponto, mas subir, superar-se a si mesmo e crescer. Em qualquer momento da nossa existência, sempre podemos enxergar – tanto do ponto de vista do trabalho e da cultura, como da vida espiritual e moral – mais um degrau a galgar, mais um patamar a alcançar. E é claro que ninguém consegue uma ascensão sem esforço e, em consequência, sem ter de enfrentar resistências e obstáculos. Continue reading “DIFICULDADES-5: AS DIFICULDADES OBJETIVAS”

DIFICULDADES-4: AS FRONTEIRAS DO CORAÇÃO

DIFICULDADES-4: AS FRONTEIRAS DO CORAÇÃO

A difícil mediocridade

Já meditamos sobre as almas que têm metas baixas na vida, um “limiar baixo”. E víamos como essa atitude morna gera muitas “dificuldades subjetivas”, que um coração generoso e um ideal alto não teriam.

São as “dificuldades da mediocridade” que, em maior ou menor medida, todos nós temos. Cada um de nós poderia abrir um livro-registro e cadastrá-las. Para tanto, bastaria identificar tudo aquilo que achamos “demais” e que nos move ao protesto…, e reconhecer, com justa vergonha, que o problema não é que seja de mais, mas que a nossa alma é de menos. Continue reading “DIFICULDADES-4: AS FRONTEIRAS DO CORAÇÃO”

DIFICULDADES-3: METAS ERRADAS

DIFICULDADES-3: METAS ERRADAS

Dois tipos de metas erradas

Víamos que conforme for a nossa meta, assim serão as nossas dificuldades. Para esclarecer melhor este ponto, será útil que meditemos sobre duas maneiras, muito reais, de gerar dificuldades subjetivas: ter uma meta errada e ter uma meta baixa. Se tivermos a infelicidade de seguir qualquer desses dois caminhos, não duvidemos de que aparecerão muitas dificuldades “inúteis”.

Já dizia Santo Agostinho que, na vida, se pode “correr bem”, mas “fora do caminho”. Bene curris, sed extra viam. É o que acontece com muitos que lutam e se esforçam, correndo atrás de ideais em que não encontrarão nunca a verdadeira realização. Poderão ter “sucesso”, mas será aparente. Não demorará muito a chegar a frustração.

Porém, o ângulo que agora nos importa não é o da frustração, mas o das dificuldades. Para aqueles que correm “fora do caminho” – fora do verdadeiro sentido da vida, que aponta para o bem e para Deus –, serão dificuldades (já o víamos) quaisquer oposições que encontrem para alcançar os objetivos do seu egoísmo. Até ousaríamos dizer que, na vida de quem optou por ideais materialistas e hedonistas, as maiores dificuldades são aquelas circunstâncias que se opõem aos seus vícios.

É preciso esclarecer que aqui empregamos a palavra “vício”, não conforme o uso vulgar, mas no sentido clássico cristão. É provável que nos lembremos da enumeração que faz o catecismo dos vícios capitais: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.

Se nos deixarmos dominar por qualquer deles, serão muitas as dificuldades que irão enxamear. Assim, por exemplo, para o sensual dominado pela luxúria, a maior dificuldade será ter de enfrentar a proposta de um amor fiel e sacrificado, feito de generosa doação… Justamente aquilo que é o ideal amável para um coração puro e reto. O casamento, para o primeiro, não deixará de ser uma fonte de problemas e restrições, que chegará a julgar insuportáveis. É isso o que produz a falsificação do amor; é o resultado de uma falsa meta na vida. Continue reading “DIFICULDADES-3: METAS ERRADAS”

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