DIFICULDADES-7: PARA CONHECER-NOS

DIFICULDADES-7: CONHECER-SE NAS DIFICULDADES

As provas nos mostram como somos

Santo Agostinho, que possuía uma vasta experiência pessoal nesta matéria, tem toda a razão ao dizer que “ninguém se conhece a si mesmo se não for tentado”.

Aí temos, por exemplo, o caso de uma professora que sempre se julgou aberta e compreensiva, inclinada a relevar as faltas de alunos e colegas. Costumava dizer: “Todos somos humanos, todos temos defeitos, é preciso saber compreender e desculpar a todos”. E de fato, tinha uma afabilidade proverbial. Até que um belo dia começou a perceber alguma coisa estranha na escola: não mais a convocavam para reuniões de estudo e planejamento; alegando desculpas, tiraram-lhe uma das classes; percebia cochichos na sala de professores, que se calavam mal ela aparecia no local… Pouco demorou a perceber a manobra. Estavam armando uma intriga para “encostá-la” e colocar outra em seu lugar. A “panelinha dominante” tirava-lhe o tapete de sob os pés. Continue reading “DIFICULDADES-7: PARA CONHECER-NOS”

DIFICULDADES-6: AS TENTAÇÕES

DIFICULDADES-6: AS TENTAÇÕES

A tentação é uma “prova”

As tentações nos experimentam. Este é, perante a nossa consciência, o sentido das tentações que nos assaltam. Pelo menos, é um dos seus principais significados positivos, dentro dos planos de Deus.

Entendemos por tentação tudo aquilo que, vindo de dentro ou de fora de nós, nos incita à prática – por pensamentos, palavras, ações ou omissões – de um mal moral, de um pecado.

Mas a circunstância de a tentação nos inclinar para o mal não significa que ela – quer proceda dos nossos desejos desordenados, quer de outras pessoas, quer do tentador – seja algo negativo aos olhos de Deus. Continue reading “DIFICULDADES-6: AS TENTAÇÕES”

DIFICULDADES-5: AS DIFICULDADES OBJETIVAS

DIFICULDADES-5: AS DIFICULDADES OBJETIVAS

Nem tudo é subjetivo

Nem todas as nossas dificuldades são subjetivas, fruto da imaginação egoísta e do coração estreito.

Existem dificuldades objetivas, e não somente existem como são uma permanente presença no caminho da nossa vida, em cada um dos seus passos. E é natural que seja assim.

A existência humana é dinâmica. O progresso é lei da nossa vida, porque não estamos “feitos” de uma vez por todas, mas avançamos passo a passo, ao longo dos nossos dias, rumo à nossa plenitude. Isto exige uma contínua superação, uma vez que avançar não é dar voltas ao redor do mesmo ponto, mas subir, superar-se a si mesmo e crescer. Em qualquer momento da nossa existência, sempre podemos enxergar – tanto do ponto de vista do trabalho e da cultura, como da vida espiritual e moral – mais um degrau a galgar, mais um patamar a alcançar. E é claro que ninguém consegue uma ascensão sem esforço e, em consequência, sem ter de enfrentar resistências e obstáculos. Continue reading “DIFICULDADES-5: AS DIFICULDADES OBJETIVAS”

DIFICULDADES-4: AS FRONTEIRAS DO CORAÇÃO

DIFICULDADES-4: AS FRONTEIRAS DO CORAÇÃO

A difícil mediocridade

Já meditamos sobre as almas que têm metas baixas na vida, um “limiar baixo”. E víamos como essa atitude morna gera muitas “dificuldades subjetivas”, que um coração generoso e um ideal alto não teriam.

São as “dificuldades da mediocridade” que, em maior ou menor medida, todos nós temos. Cada um de nós poderia abrir um livro-registro e cadastrá-las. Para tanto, bastaria identificar tudo aquilo que achamos “demais” e que nos move ao protesto…, e reconhecer, com justa vergonha, que o problema não é que seja de mais, mas que a nossa alma é de menos. Continue reading “DIFICULDADES-4: AS FRONTEIRAS DO CORAÇÃO”

DIFICULDADES-3: METAS ERRADAS

DIFICULDADES-3: METAS ERRADAS

Dois tipos de metas erradas

Víamos que conforme for a nossa meta, assim serão as nossas dificuldades. Para esclarecer melhor este ponto, será útil que meditemos sobre duas maneiras, muito reais, de gerar dificuldades subjetivas: ter uma meta errada e ter uma meta baixa. Se tivermos a infelicidade de seguir qualquer desses dois caminhos, não duvidemos de que aparecerão muitas dificuldades “inúteis”.

Já dizia Santo Agostinho que, na vida, se pode “correr bem”, mas “fora do caminho”. Bene curris, sed extra viam. É o que acontece com muitos que lutam e se esforçam, correndo atrás de ideais em que não encontrarão nunca a verdadeira realização. Poderão ter “sucesso”, mas será aparente. Não demorará muito a chegar a frustração.

Porém, o ângulo que agora nos importa não é o da frustração, mas o das dificuldades. Para aqueles que correm “fora do caminho” – fora do verdadeiro sentido da vida, que aponta para o bem e para Deus –, serão dificuldades (já o víamos) quaisquer oposições que encontrem para alcançar os objetivos do seu egoísmo. Até ousaríamos dizer que, na vida de quem optou por ideais materialistas e hedonistas, as maiores dificuldades são aquelas circunstâncias que se opõem aos seus vícios.

É preciso esclarecer que aqui empregamos a palavra “vício”, não conforme o uso vulgar, mas no sentido clássico cristão. É provável que nos lembremos da enumeração que faz o catecismo dos vícios capitais: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça.

Se nos deixarmos dominar por qualquer deles, serão muitas as dificuldades que irão enxamear. Assim, por exemplo, para o sensual dominado pela luxúria, a maior dificuldade será ter de enfrentar a proposta de um amor fiel e sacrificado, feito de generosa doação… Justamente aquilo que é o ideal amável para um coração puro e reto. O casamento, para o primeiro, não deixará de ser uma fonte de problemas e restrições, que chegará a julgar insuportáveis. É isso o que produz a falsificação do amor; é o resultado de uma falsa meta na vida. Continue reading “DIFICULDADES-3: METAS ERRADAS”

DIFICULDADES-2: A DIFICULDADE NOS FAZ BEM

DIFICULDADES-2: COMPREENDER O QUE NOS FAZ “BEM”

O ideal e o bem

Voltemos à “definição” primária de dificuldade: “Dificuldade é aquilo que surge como obstáculo para o nosso bem”.

Comecemos pelo último ponto da definição. Qual é, na realidade, o nosso verdadeiro bem? Não há dúvida de que o conceito que temos do bem depende sempre do ideal que norteia a vida. Para um materialista, que reduz a existência à avidez dos desejos, o bem é aquilo que simplesmente o satisfaz, o que lhe dá prazer, mesmo que porventura acabe redundando num mal ou num prejuízo para os outros. O egoísta sensual, por exemplo, quer ser “feliz”, e coloca o seu bem na saciedade do egoísmo carnal, ainda que para alcançá-lo tenha que deixar mulher e filhos em situação penosa.

Para o cristão, pelo contrário, o bem – a verdadeira realização de si mesmo – não é a satisfação do egoísmo, mas aquilo que a doutrina católica denomina com precisão, desde tempos muito antigos, o bem da virtude[1]. O amadurecimento das virtudes, com a ajuda de Deus, é o que realiza o autêntico bem do homem e, por isso mesmo, faz arraigar nele uma felicidade cada vez mais profunda, cheia de paz e de plenitude interior. Continue reading “DIFICULDADES-2: A DIFICULDADE NOS FAZ BEM”

DIFICULDADES-1: TÊM VALOR?

DIFICULDADES-1: AS DIFICULDADES TÊM VALOR?

As dificuldades da vida

– Não é fácil!

– Não é mesmo!

Quem pronunciou estas últimas palavras acabava de se aproximar de um grupo de amigos. Nada ouvira da conversa mantida entre eles, a não ser apenas a última frase: “Não é fácil!”… E, no entanto, mesmo sem saber de que estavam falando, sentiu-se impelido como que instintivamente a concordar. Seja qual for o assunto, não há dúvida de que, nesta vida, nada é fácil. Por isso, quem afirma que alguma coisa “é difícil”, ou que “não está fácil”…, presume-se que, independentemente da questão de que se trate, está com a razão. Continue reading “DIFICULDADES-1: TÊM VALOR?”

EXEMPLO: – 10 – UM EXAME DE VIRTUDES

EXEMPLO:  10 – UM EXAME DE VIRTUDES

Exame sobre as virtudes cardeais

Como incentivo para uma meditação pessoal mais profunda, vamos apontar agora apenas alguns aspectos de cada uma das quatro virtudes cardeais, focalizadas sob o ângulo do exemplo dos pais[1].

Prudência. Como ajuda e enche de segurança ter um pai que seja alegre, sensato e reflexivo. Que não improvise. Que não dê decepções a toda a hora. Que não mude de planos sem mais nem menos. Que não dê sustos por ter-se esquecido de controlar as contas bancárias, ou os prazos disso ou daquilo, que não precise ouvir aquelas palavras do Paraíso de Dante: “Siate, cristiani, a muovervi più gravi: non siate come penna ad ogni vento…” (“Cristãos, caminhai com mais ponderação: não sejais qual pena movida por qualquer vento…”) [2]. Continue reading “EXEMPLO: – 10 – UM EXAME DE VIRTUDES”

EXEMPLO: – 9 – VIRTUDES PROVADAS

EXEMPLO:  9 – VIRTUDES “PROVADAS”

O teste da provação

Para que as virtudes dos pais e educadores tenham a eficácia do exemplo, precisam de duas condições ou, melhor, têm que passar por dois testes de autenticidade: o teste da “provação” e o teste da “unidade de vida”. Comecemos pelo primeiro.

De uma maneira surpreendente, o apóstolo São Tiago começa a sua Carta dizendo: Considerai uma grande alegria, meus irmãos, quando tiverdes de passar por diversas provações. Na realidade, nós desejaríamos que as provações fossem as menos possíveis. Mas São Tiago não pensa assim, porque sabe que as dificuldades que nos põem a prova e nos fazem sofrer podem derrubar-nos, mas – e isso é o que interessa – podem também ser o meio de temperar,  de consolidar e fortalecer o amor e as virtudes. E, por isso, acrescenta que a prova produz em vós a constância; e a constância deve levar a uma obra perfeita (Tg 1, 2-4). Continue reading “EXEMPLO: – 9 – VIRTUDES PROVADAS”

EXEMPLO: 8 – AS VIRTUDES

EXEMPLO:  8 – IMPORTÂNCIA DAS VIRTUDES

Virtudes: força do exemplo

Ao lado das convicções cristãs e da piedade, a virtude é uma grande força de exemplo. É óbvio que a conduta virtuosa dos pais e educadores é uma luz orientadora mais importante que as palavras. Santo Antônio de Pádua dizia que virtudes como, por exemplo, “a humildade, o desprendimento, a paciência e a obediência” são outras tantas “línguas”, e que nós “falamos essas línguas quando os outros as veem em nós mesmos”[1].

Vale a pena lembrar que é o próprio Cristo quem faz finca-pé na importância das nossas virtudes para sermos “luz” para os outros. Brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus (Mat 5, 14-16). Jesus fala de “boas obras”. “Boa obra”, em termos cristãos, é sempre um ato de virtude. São atos concretos, manifestações visíveis das virtudes teologais (atos de uma alma cheia de fé, de esperança, de amor-de caridade), e das virtudes humanas. Virtudes humanas (à volta da prudência, justiça, fortaleza e temperança) que têm uma importância enorme na boa formação dos filhos e dos alunos (Ver Catecismo, nn. 1805-1809).[2] Continue reading “EXEMPLO: 8 – AS VIRTUDES”

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