MARIA: 2 – DEUS FALA DE MARIA

MARIA: 2- DEUS FALA DE MARIA

Uma cena de delicada caridade

O Evangelho fala relativamente pouco da Mãe de Jesus. Os textos extensos referem-se, principalmente, à concepção, nascimento e infância de Cristo. No entanto, se o Evangelho fala pouco, diz muito, diz muito mais do que imaginamos.

Nesta meditação começaremos refletindo sobre um trecho muito rico do  Evangelho de São Lucas, guiados pelo desejo de captar o que Deus nos quer revelar acerca de Maria. Ao mesmo tempo, poderemos verificar se a devoção a Maria, tal como a vivem os fiéis católicos, está em sintonia com a Palavra de Deus. Continue reading “MARIA: 2 – DEUS FALA DE MARIA”

MARIA: 1 – POR QUE DEVOÇÃO A MARIA?

MARIA: 1- POR QUE A DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA?

A voz de Cristo moribundo

Faltavam apenas alguns minutos para que Cristo, no alto da Cruz, entregasse a sua alma ao Pai. Seu olhar inclinou-se para baixo e buscou primeiro os olhos de sua Mãe; depois, desviou-se para João, o discípulo amado. Os seus lábios esforçaram-se então por articular umas poucas palavras. Estava exausto, agonizante, mas queria falar. A sua voz enfraquecida esforçava-se por dizer exatamente o que Ele, o Filho de Deus, queria dizer naquele momento em que se consumava a Redenção dos homens.

Vendo Jesus a sua Mãe e junto dela o discípulo que ele amava, disse à sua Mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua Mãe. E, desta hora em diante, o discípulo a levou para sua casa (Jo 19, 26-27). Continue reading “MARIA: 1 – POR QUE DEVOÇÃO A MARIA?”

EXEMPLO: 4 – O BOM PASTOR

EXEMPLO – 4- O BOM PASTOR

Passos que assinalam o caminho

Na bela parábola do Bom Pastor, Cristo reúne mensagens cheias de riqueza espiritual. É claro que a parábola é, em primeiro lugar, um autorretrato de Cristo – o bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 11) –  e, em segundo lugar, uma pauta para os pastores da Igreja. Mas as ricas virtualidades da palavra de Cristo atingem a todos, e, assim, a imagem do pastor que depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora do aprisco, vai na frente delas, assinalando-lhes o caminho com seus próprios passos, e as conduz à pastagem  (cfr. Jo 10, 3 e 4) é especialmente ilustrativa para os que têm o dever de educar. Continue reading “EXEMPLO: 4 – O BOM PASTOR”

EXEMPLO: 3 – A IMAGEM DO FERMENTO

EXEMPLO 3 − A IMAGEM DO FERMENTO 

O fermento na massa 

O Reino dos céus é comparável ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa (Mat 13, 33).

Esta imagem é importante, sobretudo nos tempos atuais. Lembra-nos que o mundo é uma “massa” quase inteiramente carente da qualidade do bom pão das virtudes cristãs, e do sabor – do sentido − da Verdade divina e da Lei de Deus. Por isso, o exemplo dos cristãos responsáveis (pais, mestres, padres) neste ambiente atual, é decisivo. Para transformar a massa em pão de Deus, o fermento precisa de ter uma força e uma eficácia que sejam capazes de mudá-la: uma força que só Cristo pode dar. Continue reading “EXEMPLO: 3 – A IMAGEM DO FERMENTO”

EXEMPLO: 2 – O SAL DA TERRA

O EXEMPLO: 2- O SAL DA TERRA 

Ser sal da terra 

Vós sois o sal da terra. Se o sal perder o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens (Mt 5, 13).

Os ouvintes de Cristo podiam entender estas palavras, como nós também, pois sabemos qual é a utilidade do sal. Resume-o com simplicidade este pensamento de São Josemaria Escrivá: «Tu é sal … “O sal é bom”, lê-se no Santo Evangelho; “mas se ele perder o seu sabor… não servirá nem para a terra nem para adubo,mas será lançado fora”. Tu é sal, alma de apóstolo. Mas se te desvirtuas…»[1].

Há pessoas que, tendo uma vida comum, igual à de muitos outros, dão a tudo o que dizem e fazem o toque de um “sabor” diferente. Os que com eles convivem e se relacionam captam, talvez de modo inconsciente, que tudo neles é atraente, porque está condimentado pela bondade, pelo amor, pela caridade, pela lealdade, pela serenidade, pela fé. Admiram-nas. Gostariam de ser como elas.  Continue reading “EXEMPLO: 2 – O SAL DA TERRA”

EXEMPLO: 1 – LUZ DO MUNDO

EXEMPLO: 1- LUZ DO MUNDO 

Jesus fala da força do exemplo

Vós sois a luz do mundo [...]. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mt 5, 14.16).

A luz entra pelos olhos. O que os olhos enxergam em plena claridade fala por si, não precisa de palavras nem, muito menos, de “palavreado” para se explicar.

Assim é o bom exemplo, e assim o apreciaram sempre os grandes homens, sobretudo os santos. Já Santo Inácio de Antioquia, o bispo mártir do século II, enquanto era conduzido a Roma para sofrer martírio, escrevia aos Efésios: «É melhor calar-se e ser do que falar e não ser. É maravilhoso ensinar, quando se faz o que se diz [...]. Aquele que compreende verdadeiramente a palavra de Jesus pode entender o seu silêncio [ou seja, o que "diz", sem palavras, o seu exemplo];  e então será perfeito, porque atuará de acordo com a sua palavra, e se manifestará também mediante o seu silêncio [ou seja, mediante o que faz sem falar]»[1].

O doce Santo Antônio de Pádua adotava um tom santamente irado quando falava do exemplo: «É viva a palavra quando são as ações que falam. Cessem, peço, os discursos, falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras» [2]. Hoje, a pedagogia insiste cada vez mais no valor insubstituível da chamada educação invisível [3]; da força exemplar das convicções e das atitudes que as encarnam:

A imagem da luz é simples. A boa luz permite enxergar bem, sem confusões; mostra perigos que a sombra ocultaria; ilumina referenciais da paisagem e dos caminhos que a noite encobriria; a luz também aquece, estimula a vitalidade e favorece a alegria. Poderíamos dizer que os que irradiam a claridade do bom exemplo têm todas essas características da luz.

Eu sou luz ou sombra? 

Tendo isso em mente, tentemos fazer o nosso exame de consciência, partindo de uma pergunta desafiadora. Eu sou luz ou sombra? Você quer enfrentá-la com coragem? Pois, então, veja, só para exemplificar, alguns flashes esclarecedores, que lhe podem da a resposta.

–  Se eu sou uma pessoa sincera, constante, organizada, leal à palavra dada e fiel aos compromissos, sou luz. Os outros – filhos alunos, etc. – , junto de mim, veem claro o que é certo e sentem-se incentivados a imitá-lo.

–  Mas se sou pessoa mentirosa, inconstante, desordenada e volúvel, sou sombra. Os que dependem de mim ficam confusos, inseguros, não conseguem avaliar o alcance das minhas palavras, das minhas atitudes, das minhas promessas; em suma, não podem contar comigo como um farol orientador nem como um apoio.

–  Se eu sou pessoa com ideais nobres e definidos na vida, pessoa que tem valores positivos – ânsias de bondade e de bem – , que vibra com eles, que procura praticá-los; se sou pessoa cheia de fé e de esperança e posso dizer, como Jesus, eu sei de onde venho e para onde vou, então eu sou luz, mais ainda, sou reflexo da Luz com maiúscula, sou sinalização divina, foco cristão que orientará outras vidas.

–  Mas se sou pessoa cética, agnóstica, cheia de incertezas e de pessimismo, convencida de que neste mundo nada há de bom, tudo é interesseiro, os valores são imaginários e os ideais tolices; se me julgo realista porque capitulo perante os interesses egoístas da terra e sou incapaz de ver, além deles, outra finalidade para a vida, então sou uma sombra mais daninha que uma cascavel oculta no armário, e as primeiras vítimas podem ser os que mais amo.

–  Se eu sou um lutador que detesta o conformismo e a acomodação, se tenho um coração que sempre quer puxar a vida para patamares mais elevados e perfeitos – para aspirações nobres, para virtudes, para maiores quilates de amor e amizade –  ; se eu detesto a mediocridade, se vibro com ânsias de justiça, se arquiteto sonhos realistas para tornar o mundo mais fraterno e belo e os demais mais felizes, então, com certeza, sou luz.

–  Se, porém, cochilo na rede da canseira moral e do desencanto; se resmungo mais do que animo, se tenho alma, coração, atitudes, palavras e gestos desbotados pela frustração; se faço troça dos “sonhadores”, se tenho pena dos que “ainda” acreditam no amor, na verdade, na justiça e no bem, então eu sou, com certeza, uma treva miserável.

–  Se eu vejo, antes de mais nada, o lado positivo das coisas; se os meus comentários, em casa e fora de casa, sem serem ingênuos, são sempre estimulantes; se sou conhecido como aquela pessoa que sempre acolhe, que sempre está disposta a ajudar, que sempre anima, que sempre sorri, que alegra qualquer ambiente, então eu sou uma luz que concentra as sete cores da alegria.

–  Mas se pertenço ao rol daqueles que, mal aparecem em casa, ou se sentam à mesa, ou entram na sala de aula, iniciam uma nova era glacial, apagam o sorriso dos outros (“fechou o tempo” – dizem deles); se a minha característica é a irritação, a impaciência e o mau humor; se reclamo de tudo e de todos; se acho tudo ruim; se não agradeço nada; se tenho pena de mim mesmo e ando com complexo de vítima, então, meu amigo, então eu sou uma sombra pior que as que o Dante pinta no Inferno.

Guardemos essas amostras e passemos – na semana que vem − para uma segunda imagem.

 

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus: A força do exemplo

 

 



[1] Carta aos Efésios, n. 15

[2] Sermões, I, 226

[3] Víctor García Hoz, obra citada.

QUARESMA: 10 – UNIDOS À CRUZ REDENTORA

10 – UNIDOS À CRUZ REDENTORA

A cruz que faz “corredimir”

Há umas palavras de São Paulo que encerram um grande mistério, ou seja, que encerram uma verdade muito sobrenatural e profunda sobre a vida nova do cristão. São as seguintes: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. Completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja” (Cl 1, 24).

A rigor, nada falta à Paixão de Cristo, pois o sacrifício de Jesus mereceu infinitamente a redenção de todos os crimes e pecados do mundo. Mas o Senhor quis que os cristãos, membros do seu Corpo Místico, “outros Cristos”, pudessem associar-se ao seu sofrimento redentor, unindo a ele os seus próprios padecimentos.

Na Carta Apostólica “O sentido cristão do sofrimento” (“Salvifici doloris”), o Papa João Paulo II, desenvolve uma bela reflexão sobre esta verdade: «O Redentor sofreu em lugar do homem e em favor do homem. Todo homem tem a sua participação na Redenção. E cada um dos homens é também chamado a participar daquele sofrimento, por meio do qual se realizou a Redenção; é chamado a participar daquele sofrimento por meio do qual foi redimido também todo o sofrimento humano. Realizando a Redenção mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao nível da Redenção. Por isso, todos os homens, com o seu sofrimento, podem tornar-se participantes do sofrimento redentor de Cristo» (n. 19).

E, mais adiante, glosando a frase de São Paulo que agora meditamos, este Papa santo complementava essa reflexão: «O sofrimento de Cristo criou o bem da Redenção do mundo. Este bem é em si mesmo inexaurível e infinito. Ninguém lhe pode acrescentar coisa alguma. Ao mesmo tempo, porém, Cristo, no mistério da Igreja, que é o seu Corpo, em certo sentido abriu o próprio sofrimento redentor a todo o sofrimento humano. Na medida em que o homem se torna participante dos sofrimentos de Cristo –em qualquer parte do mundo e em qualquer momento da história—tanto mais ele completa, a seu modo, aquele sofrimento, mediante o qual Cristo operou a Redenção do mundo» (n. 24).

Neste mundo em que, ao lado de tantas bênçãos de Deus e tantas almas boas, se deixam sentir com força os ventos e tempestades do pecado, as almas generosas que sofrem com amor, unidas ao Senhor, são como que “outros Cristos”, que contrabalançam com a sua “Cruz” o peso dos crimes do mundo. Tornados eles próprios uma só coisa com Cristo sofredor, são esses homens e mulheres bons –os santos, os mártires, os inocentes, os doentes, as crianças, os “humilhados e ofendidos”… – os que mantêm no mundo, como uma tocha acesa, a esperança da salvação. Uma só mulher humilde que oferece, na sua cama de hospital, seus sofrimentos a Deus, faz mais pelo bem do mundo do que muitos dos que o governam.

Estamos perante a dimensão mais alta a que a Cruz elevou as dores humanas.

Que alegria podermos dizer como São Paulo: “Estou pregado à Cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim!” (Gál 2, 19-20). Que alegria poder ter nos lábios e no coração as mesmas palavras de Cristo: “Eu vim para servir e dar a vida para a redenção de muitos!” (Mat 20,28).

Com esta visão grandiosa da fé, entendem-se os ardores dos santos. “Não peças perdão a Jesus apenas de tuas culpas –dizia São Josemaria –; não O ames com o teu coração somente… Desagrava-O por todas as ofensas que Lhe têm feito, que Lhe fazem e que Lhe hão de fazer…; ama-O com toda a força de todos os corações de todos os homens que mais O tenham amado…”. “Que importa padecer, se se padece por consolar, para dar gosto a Deus Nosso Senhor, com espírito de reparação, unido a Ele na Cruz…, numa palavra: se se padece por Amor?[1]

Agora já não nos parece estranha a sede de Cruz, de sofrimento, que tinham os grandes santos; um desejo que não era doentio, mas uma “chama viva de amor”, que lhes fazia ter ânsias de identificar-se com Jesus na Cruz.

É paradigmática a cena de São Francisco de Assis no Monte Alverne. Era a manhã de 14 de setembro de 1224, festa da exaltação da Santa Cruz. Retirado nas solidões dos Apeninos, o Poverello rezava ajoelhado diante da sua cela, antes de que raiasse a alva. Tinha as mãos elevadas e os braços estendidos, e pedia: «Ó Senhor Jesus, há duas graças que eu te pediria conceder-me antes de morrer. A primeira é esta: que na minha alma e no meu corpo, tanto quanto possível, eu possa sentir os sofrimentos que tu, meu doce Jesus, tiveste que sofrer na tua cruel Paixão! E o segundo favor que desejaria receber é o seguinte: que, tanto quanto possível, possa sentir em meu corpo esse amor desmedido em que tu ardias, tu, o Filho de Deus, e que te levou a querer sofrer tantas penas por nós, miseráveis pecadores».

A sua oração foi ouvida. Um serafim, que trazia em si a imagem de um crucificado, imprimiu-lhe as chagas de Cristo nas mãos, nos pés e no lado. Francisco, até no corpo, tornou-se visivelmente “outro Cristo”[2].

 

Trecho do livro de F. Faus A saberdoria da Cruz

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Ano da misericórdia

Ao pé da cruz – diz o Papa Francisco –, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor, é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem O crucificou, mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus (Bula Misericordiae vultus, n. 24)



[1] Caminho, nn. 402 e 182

[2] Fioretti de São Francisco, 3 a. consideração, e Vita prima de Tomás de Celano

QUARESMA: 9 – JESUS CHOROU

9 – JESUS CHOROU

E tu não quiseste

Antes de entrar em Jerusalém, no primeiro dia da Semana Santa, Jesus, detendo-se na ladeira do monte das Oliveiras, contemplou o espetáculo da Cidade Santa brilhando ao sol do amanhecer. Uma golfada de dor invadiu-lhe a alma, e seus discípulos viram cintilar lágrimas sobre a sua face: “Contemplou Jerusalém – diz São Lucas – e chorou sobre ela” (Lc 19, 41).

Detenhamo-nos sobre essas lágrimas, pois elas nos falam. O Evangelho dá-nos todos os elementos para que possamos saber qual foi a sua causa e a sua significação. É certo que Jesus chorou naquela hora prevendo a destruição de Jerusalém, que no ano 70 seria arrasada pelas milícias romanas de Tito; mas não foi essa destruição – “virão sobre ti dias em que os teus inimigos [...] te destruirão a ti e aos teus filhos” (Lc 19, 43-44) – a razão principal das lágrimas de Jesus. É também verdade que Cristo sentiu uma dor profunda pela dureza de coração dos habitantes da Cidade Santa, que o haviam rejeitado e, naquela mesma semana, o arrastariam para a Cruz: “Jerusalém, Jerusalém – dirá dois dias depois, no Templo –, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados” (Mt 23, 37). Contudo, quem lê atentamente o Evangelho vê que também não foi esta a principal causa da sua comoção.

No monte das Oliveiras, olhando para a cidade, Cristo iniciou um pranto que completaria na terça-feira no Templo. Revelou em ambos os momentos a sua dor, pronunciando palavras explícitas. No domingo, ao mesmo tempo que prorrompia em lágrimas, exclamou: “Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas não, isto está oculto aos teus olhos” (Lc 19, 42). Na terça-feira, acrescentou: “Jerusalém, Jerusalém [...], quantas vezes eu quis reunir os teus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a tua casa ficará vazia” (Mt 23, 37-38).

Guardemos bem, do conjunto dessas palavras, três expressões: “Se conhecesses o que te pode trazer a paz”, “quantas vezes eu quis [...], e tu não quiseste”, e “a tua casa ficará vazia”; porque nelas se revela a razão dessas lágrimas de Cristo. Por elas compreendemos que Cristo estalou de dor em Jerusalém porque previa antecipadamente outra dor, outra tristeza enorme para a qual muitos homens e mulheres se encaminhavam e se encaminham também hoje cegamente: …”isso está oculto aos teus olhos”.

Jesus sentia doerem-lhe na alma todos aqueles que, iludindo-se a si mesmos, julgam que só poderão alcançar a felicidade defendendo-se de Deus, isto é, esquivando-se à carga amável dos mandamentos de Deus e da sua graça; todos aqueles que se enganam imaginando que é possível realizarem-se à margem da religião, à margem de Deus e contrariando os seus planos. É bem provável que só venham a abrir os olhos quando se lhes tornar evidente, com tristeza amarga, que “a sua casa ficou vazia”.

O egoísmo perturbado

Não há dúvida de que havia muitos com este coração mesquinho em Jerusalém. As páginas do Evangelho apresentam um retrato especialmente vivo dos escribas e fariseus hipócritas (cfr. Mt 23, 13) – e a turba dos seus sequazes –, que se iam opondo num crescendo cada vez mais virulento à pessoa e à doutrina de Cristo, porque chamava à conversão, à autêntica pureza de vida. Tinham começado com insinuações difamatórias – mostrando-se escandalizados porque Jesus comia com os pecadores (cfr. Mt 8, 11) –, prosseguiram discutindo-lhe a doutrina e armando-lhe ciladas com perguntas insidiosas (cfr. Mc 2, 7; Lc 20, 21-22), e terminaram declarando insuportável o seu ensinamento (Jo 6, 60) e proclamando a necessidade de eliminá-lo sumariamente pelo bem do povo (Jo 11, 50).

Que acontecia, na realidade? Que a amorosa doutrina de Jesus, com as suas divinas exigências, lhes perturbava o egoísmo aureolado de religiosidade, a ambição encoberta por aparências de zelo pelas coisas de Deus.

A esses “honestos” avarentos, cobiçosos, orgulhosos e sensuais, Cristo desmontava-lhes o disfarce de honradez com a sua mensagem de sinceridade, pureza, humildade, desprendimento e doação, que era para eles uma bofetada. “Dura é essa doutrina – acabarão por bradar –, quem pode suportá-la?” (Jo 6, 60). E os principais de Jerusalém, irritados com o povo mais simples, que se deixara cativar pelos milagres e pela pregação de Jesus, tentarão desmoralizá-lo, dizendo: “Há acaso alguém entre as autoridades ou dos fariseus que acredite nele? Esse povoléu que não conhece a Lei é amaldiçoado…” (Jo 7, 48).

Não nos defendamos de Deus

À primeira vista, parece incrível, mas é uma grande verdade que muitos homens – agora como então – procuram defender-se do amor de Deus como de um inimigo. Talvez aceitem teoricamente que só no amor puro, que vem de Deus e leva a Deus, se encontram as promessas da plena felicidade. Mas não “acreditam” nisso. Na vida real, procuram a felicidade apenas no prazer egoísta e na auto-exaltação. É uma incoerência, mas é uma realidade. Enganam-se de forma mais ou menos consciente e, por receio de se complicarem com a grandeza dos ideais de Cristo, encerram-se numa cegueira voluntária. Assim, querendo proteger-se contra os sacrifícios que o Ideal comporta, atiram-se à estrada do egoísmo – que parece bem mais garantida – e perdem o caminho do amor, o único capaz de orientar os seus passos para a alegria e para a paz (cf. Lc 1, 79). Muito bem disse deles Cristo: “O que te pode trazer a paz [...] está oculto aos teus olhos” (Lc 19, 42).

É uma pena que esses pobres homens fiquem eletrizados pelo seu próprio “eu”, do qual Deus acaba por ser um “rival”. O norte magnético, que neles polariza tudo, é constituído pelo que alguém resumia nos “três esses”: sossego, satisfação, sucesso. Aí estaria o único segredo da felicidade, a chave da alegria! Nesse clima interior de egoísmo glorificado, quando se lhes cruza Cristo pelo caminho da vida, quando deles se aproxima e lhes fala de ideais divinos, de sacrifício alegre, de humildade amorosa, de serviço aos outros…, sentem um arrepio percorrer-lhes a espinha. Apavorados com a perspectiva de perder a vida fácil, bradam: Não! E é por isso que Cristo chora: Não quiseste, não quiseste abrir-te confiadamente Àquele que te podia trazer a paz. Como consequência desse fechamento, virão inevitavelmente os frutos dolorosos do egoísmo, que tarde ou cedo acabam por aparecer e estiolam a alma: “Eis que a tua casa ficará vazia”. A tua vida ficará vazia.

Trecho do livro de F. Faus Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens

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Ano da misericórdia.

Este é o momento favorável para mudar de vida! – diz o Papa Francisco – Este é o tempo de se deixar tocar o coração [...]. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão. Está sempre disposto a ouvir [...]. Basta acolher o convite à conversão (Bula Misericordiae vultus, sobre o Jubileu da Misericórdia, n. 19).

QUARESMA: 8 – A CRUZ QUE NOS INTERPELA

8 – A CRUZ QUE NOS INTERPELA

A Cruz que Deus nos envia

A maior parte das “cruzes” da vida aparece sem nós as termos procurado. São as moléstias físicas ou psíquicas; são os aborrecimentos que surgem no mundo do nosso trabalho; são as dificuldades e aflições econômicas, o desemprego, a insegurança…; ou então os sofrimentos que experimentamos no convívio habitual com a família: asperezas de caráter do marido ou da mulher, desgostos com os filhos, parentes desabusados ou intrometidos, indelicadezas, ofensas…

Pense que todo o tipo de sofrimento nos interpela: Deus nos fala através dele. Que resposta lhe damos? Não poucas vezes, a nossa reação espontânea é a irritação, o protesto, ou a aflição, a tristeza, o desânimo, a queixa. Há corações que não sabem sofrer, ficam perdidos diante dos sofrimentos cotidianos, e sucumbem esmagados por umas “cruzes” que sentem como se fossem uma laje que os asfixia, quando Deus as oferece como asas para voar.

Deveriam lembrar-se do mau ladrão. Junto de Jesus crucificado, deixou-se arrastar pelo ódio à Cruz. Morreu contorcendo-se e espumando de raiva na sua cruz inútil. Pelo contrário, o bom ladrão soube descobrir na sua cruz uma escada que lhe serviu para chegar a Cristo e subir ao Céu (Cf. Luc 23,39-43).

Não vale a pena contorcer-se e protestar. Assim, Deus não nos poderá “trabalhar”. “Sofreremos mais e inutilmente”[1], e nenhum proveito tiraremos da dor.

Qualquer sofrimento nos interpela, dizíamos. Também Cristo foi interpelado, na Cruz, por todo tipo de sofrimento, por cada um daqueles padecimentos com que foi ferido pelos nossos pecados. E como respondeu? De cada ferida que recebia, brotava um ato de amor e uma virtude. Esse é o exemplo para o qual devemos olhar.

Acusado com mentiras revoltantes, responde com mansidão. Provocado maldosamente, responde com o silêncio. A cada chicotada, a cada espinho que lhe fere a cabeça, a cada prego que lhe atravessa as mãos e os pés, responde com a paciência; a cada ofensa, responde com o perdão; a cada escarro, a cada bofetada, responde com a humildade; a cada bem  que lhe tiram (sangue, pele, honra, roupas) responde dando; à rejeição dos homens, responde entregando-se totalmente por eles.

A cruz que ensina a amar

Sim, cada uma das nossas dores traz uma mensagem de «Cristo que pergunta por nós»[2]. Do alto da Cruz, Ele olha-nos pessoalmente, chama-nos pelo nosso nome e nos pergunta: “Não queres aprender a sofrer comigo? Não queres transformar a tua dor em amor? Não queres ter um sofrimento santificador?”

Quando nos decidiremos a isso? Quando perceberemos estas interrogações afetuosas, estas sugestões da graça de Deus? “Perante esse pequeno desaforo – Deus nos diz –, por que não respondes com um silêncio paciente e humilde como o meu, sem ódio nem discussões? Se te custa aguentar o caráter daquela pessoa, por que não te esforças por viver melhor a compreensão e a desculpa amável? Quando alguém te ofende, por que  – sem deixares de defender serenamente o que é justo – não te esforças por perdoar, como Deus te perdoa?”

E, assim, quando as dores físicas ou morais –os desgostos, as decepções, os fracassos, os fastios, o tédio, a solidão, a depressão…– nos acabrunham, a voz cálida de Cristo crucificado convida-nos a ser generosos e a subir um degrau na escada do amor: a crescer na  mansidão, na bondade e na grandeza de alma; a aumentar a confiança em Deus; a ser mais desprendidos de êxitos, bem-estar e posses materiais; sobretudo, a meter-nos mais decididamente na fogueira de amor que é o coração de Cristo, com desejos inflamados de corresponder, de desagravá-lo, de imitá-lo, de unir-nos ao seu Sacrifício redentor. Todos esses sentimentos fazem grande a alma cristã.

Queremos fazer este aprendizado cada vez melhor? Meditemos com frequência a Paixão de Jesus. É uma prática espiritual que, ao longo dos séculos, alimentou o amor e a generosidade de milhões de cristãos. Peguemos muitas vezes os relatos detalhados da Paixão, que os quatro Evangelhos conservam como um tesouro; ou livros que comentem piedosamente a Paixão e Morte de Cristo; e fiquemos contemplando, representando as cenas com a imaginação, “metendo-nos” nelas, e dialogando com o Senhor.

«Queres acompanhar Jesus de perto, muito de perto?… Abre o Santo Evangelho e lê a Paixão do Senhor. Mas ler só, não: viver. A diferença é grande. Ler é recordar uma coisa que passou; viver é achar-se presente num acontecimento que está ocorrendo agora mesmo, ser mais um naquelas cenas. Deixa, pois, que teu coração se expanda, que se coloque junto do Senhor…»[3]

Procuremos proceder assim, porque, então, choraremos os nossos pecados, que tão dolorosamente rasgaram o corpo e a alma de Cristo; teremos ânsias de reparar esses nossos males, oferecendo ao Senhor os nossos sofrimentos com espírito de penitência; e as nossas dores nos parecerão pequenas em comparação com as de Jesus: «O que vale, Jesus, diante da tua Cruz, a minha; diante das tuas feridas, os meus arranhões? O que vale, diante do teu Amor imenso, puro e infinito, esse pesadume de nada que me puseste às costas?» [4]

 

Trecho do livro de F. Faus A sabedoria da Cruz

 

Ano da misericórdia

Antes da Paixão – diz o Papa Francisco –, Jesus rezou ao Pai com este Salmo da misericórdia [Salmo 116, o “grande hallel”]. Assim o atesta o evangelista Mateus quando afirma que « depois de cantarem os salmos » (26, 30), Jesus e os discípulos saíram para o Monte das Oliveiras. Enquanto instituía a Eucaristia, como memorial perpétuo dEle e da sua Páscoa, Jesus colocava simbolicamente este ato supremo da Revelação sob a luz da misericórdia. No mesmo horizonte da misericórdia, viveu Ele a sua paixão e morte, ciente do grande mistério de amor que se realizaria na cruz (Bula Misericordiae vultus, n. 7).



[1] Cf. São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 756

[2] São Josemaria Escrivá, Via Sacra, Quinta estação

[3] Ibidem, Nona estação, n. 3

[4] São Josemaría, Amigos de Deus, n. 310

QUARESMA: 7- A FORÇA DA CONTRIÇÃO

7 – A FORÇA DA CONTRIÇÃO

O poder das lágrimas

Uma conhecida lenda, que percorreu a cristandade medieval, relatada entre outros pelo rei Afonso, o Sábio, nas suas Cantigas, fala de um cavaleiro que, não suportando mais o peso das suas blasfêmias e crimes, foi procurar um sacerdote eremita para se confessar. Recebeu, como penitência, a ordem de encher de água um pequeno barril. Durante semanas e meses, tentou cumprir esse gesto, aparentemente tão simples, sem nada conseguir: mergulhava o recipiente em todos os rios e córregos, achegava-o a todas as fontes, mas o baldezinho ficava vazio. Até que um dia se sentou, voltou a pensar na sua má vida e em Deus, no amor de Nosso Senhor crucificado por amor dele e na sua ingratidão. Caiu-lhe então no balde uma lágrima de verdadeira contrição, e o recipiente ficou imediatamente cheio até transbordar. Tinha cumprido a sua penitência.

Hoje, como sempre, e talvez mais do que nunca, é preciso que os cristãos aprendam de novo a derramar a lágrima que enche o barrilzinho. É tão comum o tipo de cristão satisfeito com a sua mediocridade desamorada, que não acha motivos para chorar os seus pecados! Quando muito, aceita a ideia de ser como um edifício que apenas precisa, vez por outra, de alguns pequenos retoques. E pode ser até que, com um assentimento teórico e quase nenhuma consequência prática, admita além disso o postulado de que “todos temos que melhorar”.

Falta-lhe, no entanto, a consciência viva de que, mesmo que não pensasse em outra coisa senão na sua pouca generosidade para com um Deus que tanto o ama, já teria motivos mais que suficientes para chorar e pedir perdão, para se sentir um pobre endividado, e para se apressar a pagar, com um amor que sempre há de revelar-se pequeno, o impagável amor de Deus. Se acrescentasse a isso o acúmulo dos seus pecados, negligências e infidelidades, a lágrima seria mais ardente e o propósito mais inflamado.

Onde está o nosso coração? Onde está a nossa consciência cristã? Talvez tenha ido definhando por tornar-se incapaz dessas lágrimas. E, por isso, não é de estranhar que toda uma sociedade, que ainda se chama cristã, cambaleie apoiada sobre homens que se julgam seguidores de Cristo, e, em vez de serem esteios de aço, são pontaletes de papel. Um cristianismo sem amor, um cristianismo sem ardor, é um triste arremedo do ideal divino cujo fogo Cristo veio trazer à terra (cf. Lc 12, 49). Um cristianismo que cada dia ceda um pouquinho, para se acomodar aos caprichos, às permissões e às mentiras do mundo, é uma trágica “farsa blasfema” (cf. Sulco, n. 650).

O Sacramento do perdão

Daí a importância que tem dar o devido valor a esse grande encontro das lágrimas do cristão com o Coração de Cristo, que se chama o Sacramento da Reconciliação, a Confissão.

São Josemaria Escrivá, apóstolo incansável do Sacramento do Perdão, falava da Confissão pondo em plena luz a sua grandeza e a sua divina eficácia: chamava-a “verdadeiro milagre do Amor de Deus. Neste Sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e te inunda de alegria e de força, para não desfaleceres no combate e para retornares sem cansaço a Deus, mesmo quando tudo te parecer estar às escuras”[1].

A autêntica perspectiva do arrependimento, vivido na Confissão sob a sua forma normal, isto é, a Confissão individual com o sacerdote – pois esta é a única forma válida em circunstâncias não excepcionais – é a perspectiva do amor que luta por avançar; que se esforça por ir e voltar a Deus, por progredir sem interrupção; que pede perdão e torna a começar; é a perspectiva do amor que sabe querer e sabe doer-se, e por isso mesmo, como diria Santo Agostinho, “não pode ficar parado”, antes é um contínuo crescimento.

«Quantas graças não temos que dar a Deus Nosso Senhor – acrescentava são Josemaria – por este Sacramento da sua misericórdia! Eu fico pasmo, comovido [...]. Não vos enternece um Deus que nos purifica, que nos limpa, que nos levanta…? Recorrei à Confissão, porque não é só para perdoar os pecados graves, ou leves, ou as faltas: é também para nos fortalecer, para cumular de graça a alma e dar-nos impulso, de modo que percorramos mais depressa o caminho; para que tenhamos também maior habilidade para combater e vencer; para que nos comportemos de tal maneira que saibamos viver com virtude e detestar o pecado”[2].

Como andam errados os que julgam desnecessária a confissão frequente porque, como dizem, “só têm faltinhas leves”. Mesmo aceitando que isso seja verdade, poderíamos dizer-lhes com o autor de Caminho: “Que pena me dás enquanto não sentires dor dos teus pecados veniais! – Porque, até então, não terás começado a ter verdadeira vida interior”(Caminho, n. 330).

É neste sentido que João Paulo II, recordando um constante ensinamento da Igreja, reafirmava: «A confissão renovada periodicamente, chamada de “devoção”, sempre acompanhou na Igreja o caminho da santidade»[3]. A confissão frequente sempre acompanhou e fomentou de maneira muito direta o progresso espiritual.

 

Adaptação de um trecho do livro de F. Faus Lágrimas de Cristo , lágrimas dos homens

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Ano da Misericórdia:

«Ponhamos novamente no centro  – diz-nos agora o Papa Francisco – o sacramento da Reconciliação, porque permite tocar sensivelmente a grandeza da misericórdia. Será, para cada penitente, fonte de verdadeira paz interior. (Bula Misericordiæ vultus, sobre o Jubileu da Misericórdia, n. 17).



[1] Amigos de Deus, n. 214

[2] Folha informativa, n. 5, p. 4

[3] Alocução, 30/01/1981

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