São João Paulo II e a esperança

São João Paulo II e a esperança
Todos os que vivemos, de perto ou de longe, a surpresa da eleição de João Paulo II, guardamos a lembrança do dia 22 de outubro de 1978, data do início solene do seu pontificado. Como nos dias da sua morte, uma multidão apertava-se na Praça de São Pedro. O Papa começou a pronunciar a sua homilia, no meio de um silêncio total. Pouco depois de iniciá-la, os fiéis sentiram um estremecimento no coração, porque João Paulo II, esboçando um leve sorriso, encarou o povo de frente e, com um ar jovial, seguro, tranquilo, lançou com voz clara e forte um apelo: – “Não tenhais medo! Abri as portas ou, melhor, escancarai as portas a Cristo!”
Este apelo, que conclamava os católicos e os homens de boa vontade a olhar para o futuro com esperança, tornou-se para o Papa como que o “refrão” do seu pontificado. Dezesseis anos mais tarde, em 1994, ele mesmo glosou essas palavras numa entrevista concedida ao jornalista Vittorio Messori, transcrita no livro “Cruzando o limiar da esperança”:
“Não tenhais medo!, dizia Cristo aos Apóstolos (Lc 24, 36) e às mulheres (Mt 28, 10), depois da Ressurreição [...]. Quando pronunciei estas palavras na praça de São Pedro não me podia dar conta plenamente de quão longe elas acabariam levando a mim e à Igreja inteira. Seu conteúdo provinha mais do Espírito Santo, prometido pelo Senhor Jesus aos Apóstolos como Consolador, do que do homem que as pronunciava. Todavia, com o passar dos anos, eu as recordei em várias circunstâncias. Tratava-se de um convite para vencer o medo na atual situação mundial [...]. Talvez precisemos mais do que nunca das palavras de Cristo ressuscitado: “Não tenhais medo!”. Precisa delas o homem [...], precisam delas os povos e as nações do mundo inteiro. É necessário que, em sua consciência, retome vigor a certeza de que existe Alguém que tem nas mãos a sorte deste mundo que passa; Alguém que tem as chaves da morte e do além; Alguém que é o Alfa e o Ômega da história do ser humano. E esse Alguém é Amor, Amor feito homem, Amor crucificado e ressuscitado. Amor continuamente presente entre os homens. É Amor eucarístico. É fonte inesgotável de comunhão. Somente Ele é que dá a plena garantia às palavras: «Não tenhais medo».”
É emocionante verificar que a mesma esperança da primeira mensagem de São João Paulo II animou a sua última mensagem. No domingo, dia 3 de abril de 2005, o arcebispo Sandrini leu à multidão congregada na praça de São Pedro a última alocução preparada  com antecedência pelo Papa, que tinha falecido no dia anterior. Ele desejava ter podido pronunciá-la no encontro tradicional da hora do Angelus desse dia (do Regina Coeli, pois era tempo pascal): “…À humanidade – dizia – , que às vezes parece perdida e dominada pelo poder do mal, do egoísmo e do medo, o Senhor ressuscitado oferece a sua misericórdia como dom do seu amor que perdoa, reconcilia e reabre o ânimo à esperança. É um amor que converte os corações e doa a paz. Quanta necessidade tem o mundo de compreender e acolher a Divina Misericórdia! Senhor, que com a vossa morte e ressurreição revelais o amor do Pai, nós acreditamos em Ti e hoje te repetimos com confiança: «Jesus, confio em Ti! Tem misericórdia de nós e do mundo inteiro!»”. A mensagem terminava convidando a “contemplar com os olhos de Maria o imenso mistério desse amor misericordioso que brota do coração de Cristo”.
(Trecho do livro A força do exemplo)

Páscoa: explosão de amor

Bento XVI: Ressurreição, explosão de amor
A morte de Cristo foi um ato de amor. Na Última Ceia, Ele antecipou a morte e transformou-a no dom de Si mesmo [na Eucaristia]. A sua comunhão existencial com Deus era, em concreto, uma comunhão existencial com o amor de Deus, e este amor é a verdadeira força contra a morte, é mais forte do que a morte. A ressurreição foi como que uma explosão de luz, uma explosão do Amor…, inaugurou uma nova dimensão do ser, da vida…, através da qual surge um mundo novo.
A vida nos vem de ser amados por Aquele que é a Vida; vem-nos de viver com Ele e de amar com Ele. “Eu, mas já não eu” (cf. Gl 2,20): este é o caminho da Cruz, o caminho que “cruza” uma existência que estava “trancada” dentro do “eu”, e “abre” justamente assim a estrada que leva à alegria verdadeira e duradoura [...]
Só o Cristo ressuscitado pode levantar-nos, arrebatar-nos para cima, até a união com Deus, até ali onde as nossas forças não podem chegar. Ele carrega realmente a ovelha perdida sobre os seus ombros e a leva para casa. Se vivermos agarrados ao seu Corpo, em comunhão com o seu Corpo [com o Corpo da Eucaristia e o Corpo místico da Igreja], alcançaremos o coração de Deus. E só assim a morte será vencida, nós seremos livres e a nossa vida será esperança…
Mediante a ressurreição de Jesus o amor revelou-se mais forte do que a morte, mais forte do que o mal. O amor o fez descer a este mundo e é, ao mesmo tempo, a força pela qual Ele sobe. A força através da qual Ele nos leva consigo. Unidos ao seu amor, levados sobre as asas do Amor… subiremos também com Ele…
«Jesus, fica comigo nas minhas noites escuras e conduz-me para fora delas! Ajuda-me, ajuda-nos, a descer contigo até a escuridão daqueles que estão à espera (porque não te conhecem), e que das profundezas gritam por ti! Ajuda-nos a levar-lhes a tua luz! Ajuda-nos a chegar todos ao “sim” do amor, que nos faz descer [do pedestal] de nós mesmos e por isso mesmo nos faz subir contigo! Amém.
(Excertos das homilias de Bento XVI na Vigília pascal de 2006 e 2007)

Páscoa: “Caminho de Emaús, caminho da vida”

«Caminho de Emaús, caminho da vida» (cf. Lc 24, 13-35)
Caminhavam aqueles dois discípulos em direção a Emaús. Andavam a passo normal, como tantos outros que transitavam por aquelas paragens. E ali, com naturalidade, apareceu-lhes Jesus, e caminha com eles, numa conversa que diminui a fadiga. Imagino a cena, bem ao cair da tarde. Sopra uma brisa suave. Em redor, campos semeados de trigo já crescido, e as oliveiras velhas, com os ramos prateados à luz tíbia.
Jesus, no caminho. Senhor, és sempre tão grande! Mas tu me comoves quando te abaixas a seguir-nos, a procurar-nos, na nossa diária roda-viva. “Senhor, concede-nos a ingenuidade de espírito, o olhar límpido, a cabeça clara, que permitam entender-te quando vens sem nenhum sinal externo da tua glória”.
Termina o trajeto ao chegar à aldeia, e aqueles dois que − sem darem por isso − foram feridos no fundo do coração pela palavra e pelo amor do Deus feito homem, sentem que Ele se vá embora. Porque Jesus se despede com gesto de quem vai prosseguir (Lc 24, 28). Nunca se impõe, este Senhor Nosso. Quer que o chamemos livremente, depois de entrevermos a pureza do Amor que nos meteu na alma. Temos que detê-lo à força e rogar-lhe: Fica conosco porque é tarde e o dia está já declinando (Lc 24, 29), faz-se noite.
Somos assim: sempre pouco atrevidos, talvez por insinceridade, talvez por pudor. No fundo, pensamos: “Fica conosco, porque as trevas nos rodeiam a alma, e só Tu és luz, só Tu podes acalmar esta ânsia que nos consome”. Porque «dentre as coisas formosas, honestas, não ignoramos qual é a primeira possuir sempre a Deus» (São Gregório Nazianzeno).
E Jesus fica. Abrem-se os nossos olhos, como os de Cléofas e seu companheiro, quando Cristo parte o pão; e embora Ele volte a desaparecer da nossa vista, seremos também capazes de retomar a caminhada – já anoitece −, para falar dEle aos outros, pois não cabe num peito só tanta alegria.
Caminho de Emaús. O nosso Deus impregnou de doçura este nome. E Emaús é o mundo inteiro, porque o Senhor abriu os caminhos divinos da terra.
São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, nn. 313 e 314

Páscoa: nasce a esperança

Para meditar: a Páscoa e a esperança
Cristo, minha esperança, ressuscitou! (texto da Missa do dia de Páscoa)
É verdade. Na manhã do domingo da Páscoa, juntamente com Jesus ressuscitado, glorioso, surgiu do sepulcro vazio a virtude da esperança, nasceu a esperança cristã, que é a única força capaz de estampar na alma um sorriso imortal, tanto na vida como na morte, tanto na dor como no gozo.
Sem esperança, não se pode viver. E sem esperança não se pode morrer. Quando falta a esperança, a vida torna-se angústia e a morte despenca no horror. Tira a esperança, e verás girar todos os teus sonhos, os teus amores, os teus trabalhos, as tuas penas e as tuas alegrias como folhas loucas num redemoinho descontrolado que acaba por desfazê-las em pó e em nada.
Foi na Páscoa – no dia da Ressurreição – que Cristo conquistou para nós a esperança. Desde então, a cada minuto da vida Ele continua a oferecer-nos a possibilidade de esperar. O triunfo da Ressurreição de Cristo é sempre atual, pela razão muito simples de que Jesus ressuscitado vive e nos ama, e está presente aqui, onde quer que nós estivermos. Ele jamais deixa de cumprir a sua promessa: Eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 28,20).
A verdade é que, na manhã do domingo da Páscoa, Jesus – verdadeiro Deus e verdadeiro homem – levantou-se vitorioso do sepulcro, vivo!, depois de ter carregado sobre si todo o mal do mundo, todos os nossos pecados, todas as nossas misérias, e de havê-los lavado no mar de amor da sua paixão e morte na Cruz. Quando se ergueu do túmulo, Ele era o Senhor da vida, o triunfador do mal, do demônio, da morte. E quis entregar-nos essa sua vitória para que fosse nossa. Ressuscitastes com Cristo, escreve São Paulo (Cl 3,1). Isso significa que tudo mudou! Agora, na tua vida e na minha, tudo pode culminar em vitória, mesmo as nossas misérias e pecados, porque no dia da Páscoa, juntamente com Jesus ressuscitado, nos foi dada a esperança.
Feliz Páscoa para todos!

Oração a Jesus crucificado

Oração a Jesus crucificado
[poema castelhano anônimo do século XVI]
Não me move, Senhor, para querer-te,
o céu que me hás um dia prometido;
nem me move o inferno tão temido,
para deixar por isso de ofender-te.
Move-me tu, Senhor, move-me o ver-te
cravado nessa cruz e escarnecido;
move-me no teu corpo tão ferido
ver o suor de agonia que ele verte.
Move-me ao teu amor de tal maneira,
que a não haver o céu eu te amara
e a não haver o inferno te temera.
Nada tens a me dar porque te queira
pois se o que ouso esperar não esperara,
o mesmo que quero te quisera.
 

(Tradução de Manuel Bandeira)

Textos para meditar: Eucaristia, o cume dos dons de Deus

EUCARISTIA: O CUME DA VIDA CRISTÃ
O Papa Bento XVI, ao encerrar, em Bari, o Congresso Eucarístico Nacional Italiano, no dia 29 de maio de 2005, evocou um episódio comovente dos primeiros séculos do cristianismo.
Aconteceu no ano de 304 − quando o imperador Diocleciano proibiu os cristãos, sob pena de morte, de possuir as Escrituras, reunir-se no domingo para celebrar a Eucaristia, e construir lugares para suas assembleias.
Em Abitene, pequena localidade da África romana (na atual Tunísia), foram surpreendidos, num domingo, 49 cristãos que celebravam a Eucaristia na casa de um tal Otávio Felix, desafiando assim as proibições imperiais. Presos, foram levados a Cartago para serem interrogados pelo procônsul Anulino.
Foi significativa a resposta que um deles, chamado Emérito, deu ao procônsul, após ser questionado sobre o motivo pelo qual haviam violado a ordem do imperador. Disse-lhe: «Sine dominico non possumus», sem a celebração da Eucaristia no domingo, não podemos viver. Faltar-nos-iam as forças para enfrentar as dificuldades cotidianas e não sucumbir. Depois de atrozes torturas, os 49 mártires de Abitene foram assassinados.
Nós, cristãos do século XXI, devemos refletir sobre a experiência dos mártires de Abitene. Também para nós, não é fácil viver hoje como cristãos. Do ponto de vista espiritual, o mundo no qual nos encontramos, caracterizado com frequência pelo consumismo desenfreado, pela indiferença religiosa, pelo secularismo fechado à transcendência, pode parecer um deserto, tão duro como aquele deserto «grande e terrível»  do qual nos fala o Livro do Deuteronômio (Dt 8, 15). Ali Deus saiu em ajuda do povo judeu com o dom do maná… Jesus, aludindo à Eucaristia, disse: «Este é o pão descido do céu; não como o que comeram vossos pais [o maná], e morreram; quem comer deste pão viverá para sempre» (Jo 6, 58). O filho de Deus, fazendo-se carne, podia converter-se Ele próprio em Pão, e deste modo ser alimento de seu povo em caminho para a terra prometida do Céu.
Todos temos necessidade deste Pão para enfrentar os esforços e cansaços da viagem ….
Na Eucaristia, Cristo está realmente presente entre nós. Sua presença não é estática. É uma presença dinâmica, que nos faz seus, assimila-nos a Ele… Faz-nos sair de nós mesmos para fazer de nós uma só coisa com Ele.

Textos para meditar: a Missa de um mártir

A MISSA E A CRUZ
[palavras de São João Paulo II na Missa de exéquias do arcebispo-mértir vietnamina, François Xavier Nguyen Van Thûan]
“O seu segredo – dizia São João Paulo II – era uma confiança indômita em Deus, alimentada pela oração e pelo sofrimento aceito com amor. Na prisão, celebrava cada dia a Eucaristia com três gotas de vinho [conseguido da família em conceito de «medicamento»] e uma gota de água na palma da mão. Esse era o seu altar, a sua catedral. O Corpo de Cristo era o seu «remédio». Por isso, narrava com emoção: «Todas as vezes eu tinha a oportunidade de estender as minhas mãos e de me cravar na Cruz juntamente com Jesus, de beber com Ele o cálice mais amargo. Em cada dia, recitando as palavras da Consagração, confirmava com todo o meu coração e com toda a minha alma um novo pacto, uma aliança eterna entre mim e Jesus, mediante o seu sangue que se misturava ao meu». «Eram – afirmava D. Van Thuân – as mais belas Missas da minha vida»”.  (citado no livro de F. Faus, Otimismo cristão, hoje, p. 68)

Textos para meditar: a Oração no Horto

PAIXÃO:  ORAÇÃO NO HORTO
A oração de Jesus no Horto de Getsêmani, que é o pórtico da Paixão, começa com uma palavra que é a chave para compreender tudo o mais: Abá, Pai, tudo te é possível… (Mc 14, 36). São Marcos quis conservar-nos a expressão original que Cristo utilizou naquela noite para começar o seu diálogo com o Pai. Abá é uma palavra aramaica – essa era a língua que Jesus falava – usada pelas crianças, e também por adultos, para se dirigirem carinhosamente aos pais. É equivalente às nossas expressões carinhosas “papai”, “paizinho”…
O detalhe é revelador. Por ele percebemos que, antes de pedir nada e antes de aceitar qualquer coisa, no coração de Cristo existe uma convicção, que nEle é clarividência absoluta: a de que Deus é um Pai infinitamente amoroso e, portanto, tudo o que dEle possa vir é bom; tudo é – ainda que por modos e vias cheios de mistério – um dom de amor paterno.
Esta plena lucidez é, nEle, prévia a qualquer reação ou atitude. Jesus sabe de antemão que tudo o que vier do Pai será um bem. Não hesita em abrir-lhe confiante o coração, que reluta e se estremece perante o cálice da dor. Mas está, simultaneamente, pronto para aceitar seja o que for – seja feita a tua Vontade –, com disponibilidade total. Jesus “consumará” a vontade do Pai ao lançar o último suspiro na cruz; e lançá-lo-á com paz – ousaria afirmar que com íntima alegria, compatível com as lágrimas –, como que a exclamar: é bom, é bom ter cumprido a tua vontade, Pai, é maravilhoso poder morrer dizendo: tudo o que me pediste está terminado, completo, consumado (cf. Jo 19, 30).
Esta disposição, que na alma de Cristo nascia da clarividência decorrente da união da sua Humanidade com a segunda pessoa da Santíssima Trindade, em nós tem que provir da luz da fé. É sempre a partir da fé que se torna possível entender, amar e até mesmo desejar a cruz que Deus, nosso Pai, nos quiser enviar.
Um homem pode não estar entendendo nada quando o sofrimento o envolve como uma venda escura; mas, se é um filho de Deus que tem fé, sabe – sabe, mesmo sem o compreender – que toda a cruz querida ou permitida por Deus Pai é positiva, é construtiva, é uma cruz que salva. E, como São Paulo, pode afirmar com segurança: Ora, nós sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus! (Rom 8, 28).
F. Faus: Do livro Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens

Textos para meditar: “Tarde te amei”

QUARESMA: DOR DE AMOR (em Santo Agostinho)
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro, e eu fora; e aí te procurava e lançava-me contrafeito às belezas que Tu criaste. Estavas comigo e eu não estava contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez; brilhaste, resplandeceste e afugentaste a minha cegueira; exalaste perfume e respirei, e anelo por ti; provei, e tenho fome e sede de ti; tocaste-me e ardi na tua paz.
Santo Agostinho, Confissões, Livro 7

Textos para meditar: o crucifixo

A NOSSA CRUZ E A DE CRISTO
Cada uma das nossas dores traz uma mensagem de Cristo que pergunta por nós. Do alto da Cruz, Ele olha-nos pessoalmente, chama-nos pelo nosso nome e nos pergunta: “Não queres aprender a sofrer comigo? Não queres transformar a tua dor em amor? Não queres ter um sofrimento santificador?”
Quando nos decidiremos a isso? Quando perceberemos estas interrogações afetuosas, estas sugestões da graça de Deus? “Perante esse pequeno desaforo –Deus nos diz-, por que não respondes com um silêncio paciente e humilde como o meu, sem ódio nem discussões? Se te custa aguentar o caráter daquela pessoa, por que não te esforças por viver melhor a compreensão e a desculpa amável? Quando alguém te ofende, por que -sem deixares de defender serenamente o que é justo- não te esforças por perdoar, como Deus te perdoa?”
E, assim, quando as dores físicas ou morais –os desgostos, as decepções, os fracassos, os fastios, o tédio, a solidão, a depressão…− nos acabrunham, a voz cálida de Cristo crucificado convida-nos a ser generosos e a subir um degrau na escada do amor: a crescer na  mansidão, na bondade e na grandeza de alma; a aumentar a confiança em Deus; a ser mais desprendidos de êxitos, bem-estar e posses materiais; sobretudo, a meter-nos mais decididamente na fogueira de amor que é o coração de Cristo, com desejos inflamados de corresponder, de desagravá-lo, de imitá-lo, de unir-nos ao seu Sacrifício redentor. Todos esses sentimentos fazem grande a alma cristã.
 Queremos fazer este aprendizado cada vez melhor? Meditemos a Paixão de Jesus. É uma prática espiritual que, ao longo dos séculos, alimentou o amor e a generosidade de milhões de cristãos. Peguemos muitas vezes os relatos detalhados da Paixão, que os quatro Evangelhos conservam como um tesouro; e alguns livros que comentem piedosamente a Paixão e Morte de Cristo; e fiquemos contemplando, representando as cenas com a imaginação, “metendo-nos” nelas, e dialogando com o Senhor. Ele nos falará sem palavras.
Do livro A sabedoria da Cruz , de F. Faus

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