Textos para meditar: lágrimas de amor

PENITÊNCIA: DOR DE AMOR
Uma das maiores desgraças que um ser humano pode ter é não ser capaz de se arrepender. Por outras palavras, aquele que passar a vida sem ter aprendido a chorar interiormente os seus pecados, por amor a Deus, por amor a Cristo, será fatalmente um ser humano achatado, mutilado na sua grandeza e diminuído na sua dignidade. Será um homem ou uma mulher que espiritualmente não chegará a vingar. E se se trata de um cristão, e especialmente de um cristão praticante – no sentido vulgar e não muito exato dessa expressão (cumpridor das obrigações religiosas) –, o malogro será ainda maior. Aquele que não “sabe” arrepender-se, fica estagnado, cego; cristaliza nos seus defeitos, rotinas e mediocridades, e morre ignorando o que significa a palavra amor, mais especificamente, aquela que encabeça o primeiro e principal de todos os mandamentos: “Amarás a Deus sobre todas as coisas”.
Enquanto não brotar uma lágrima de verdadeiro arrependimento, o coração humano, mesmo o que parece bom e limpo, não possuirá o segredo da porta de acesso ao Coração de Cristo, ou seja, ao Amor com maiúscula. As lágrimas penitentes são essa chave. Sem elas, para nós, pecadores, não há outra que abra.
Tomara que, avançando nessa escola da dor sincera, chegue um dia que, além de doer-nos das nossas faltas graves, sejamos capazes de derramar uma pequena lágrima – sem escrúpulos doentios − por termos sido esquecidiços ou indelicados com Deus, por termos omitido a oração habitual, por termos faltado aos propósitos de melhoria que lhe oferecemos, por termos reincidido num pouco de ira, por termos perdido o tempo que Ele nos concede, por termos sido egoístas, por termos dito uma palavra que magoou o irmão…, nesse dia teremos passado na primeira prova da matéria mais importante da vida: a que se aprende na escola do Amor.
Resumido do livro Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens, de F. Faus