Natal: 2-Os pastores

NATAL – 2: OS PASTORES

 

Havia nos arredores [de Belém] uns pastores que vigiavam e guardavam o seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite.

Esses pastores simples foram os primeiros a adorar o Menino Deus recém-nascido em Belém.

Os pastores vigiavam, diz o Evangelho. Vigiar é estar atento ao que se faz, ao que se deve fazer – porque é o dever que Deus nos pede –, sem cair em descuidos nem cochilos. Vigiar é fazer as coisas bem feitas, com carinho, com capricho, colocando nelas a cabeça e o coração. Vigiar é fazer com amor o que Deus nos solicita em cada momento do dia, e apresentá-lo a Ele como uma oferenda agradável.

Foi a corações simples como esses – humildes pastores − que um anjo do Senhor anunciou, primeiramente, o Natal: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova, que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: Achareis um recém-nascido envolto em panos e posto numa manjedoura.

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Mal receberam o anúncio, os pastores foram correndo adorar o recém-nascido: Vamos até Belém, e vejamos o que lá se realizou e que o Senhor nos manifestou. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o Menino deitado na manjedoura.

Logo o adoraram e lhe ofertaram o que tinham – pão, queijo, leite, um cordeirinho novo –, e voltaram glorificando e louvando a Deus, por tudo o que tinham ouvido e visto.

Eles ficaram encantados com o Menino Jesus. Outros teriam ficado decepcionados ante tamanho abandono e pobreza. Mas Deus e eles se entenderam perfeitamente bem. Os corações simples descobrem maravilhas, captam alegrias que os complicados ignoram e infelizmente perdem.

A capacidade de admiração é um dos sinais da simplicidade e pureza do coração.

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Subitamente – diz o Evangelho –, ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus no mais alto dos céus e, na terra, paz aos homens de boa vontade».

Glória no céu e paz na terra. Que falta nos faz a paz! É um dom que Jesus traz ao mundo: A paz vos deixo, a minha paz vos dou. Um dom que significa muito mais do que tranquilidade e falta de problemas.

A paz de Cristo não é a calma dos adormecidos ou dos desligados. É algo muito mais e profundo: é a harmonia, a nossa harmonia com Deus, conosco – no íntimo da consciência – e com os outros. Uma harmonia que exige coragem e luta.

–A harmonia com Deus alcança-se com os atos de  amor e de arrependimento. Os corações simples e bons vivem fazendo as coisas certas por amor a Deus, e pedindo perdão pelas erradas também por amor a Deus. Cada confissão sincera – como a que os bons cristãos procuram fazer pelo Natal –é para eles um mergulho na paz que só Cristo pode dar.

–A harmonia no íntimo de nós, tem o mesmo tamanho que a nossa sinceridade de consciência: saber reconhecer humildemente os erros e tentar sinceramente remediá-los.

– E, da união com Deus e da consciência sincera, brota mais facilmente a compreensão e a paz para com os outros.

 

Resumo de um capítulo do livro de F. Faus Contemplar o Natal