A ESTRELA DOS MAGOS -2: “E VIEMOS ADORÁ-LO”

Vimos a sua estrela e viemos adorá-lo (Mt 2, 2)

Depois de “ver” – com toda a sinceridade – a estrela, o primeiro que aconteceu é que a verdade adquirida pela inteligência “desceu” ao coração. Quero dizer, que os Magos, aqueles homens honestos, perceberam que a vinda do Messias salvador do mundo não os podia deixar indiferentes. Compreenderam que acabavam de descobrir a mais esperada intervenção de Deus na história. Seu coração reto sentiu-se interpelado. Nele se acendeu a luz. Se Ele chegou, diziam-se, é preciso procurá-lo, uma vez que o mundo, por milênios, o tem esperado com ansiedade.  É preciso honrá-lo, “adorá-lo”, como se usava na linguagem da época. É preciso colocar-se à sua disposição.

Tudo isso encerra aquele “viemos”…, e mais.

Já comentávamos que a estrela lhes marcou inicialmente a direção, revelou-lhes o destino e estimulou-os na partida, mas depois desapareceu… Eles, porém, não hesitaram – tinham “visto” e não precisavam de mais – e continuaram a caminhar: uma viagem longa e áspera.

Naquele itinerário, não faltaram montanhas a galgar, paragens geladas, trilhas perigosas… Muitas noites dormiram mal, muitos dias mal comeram. Os acompanhantes murmuravam, falando em voltar.

É lógico que, por serem humanos, tenham tido mais de uma vez a tentação de desistir. Talvez pensassem: “Será que conseguiremos?” “Será que Deus pode nos pedir tamanho sacrifício?”… “Será?”… Mas não se deixaram vencer pelas dificuldades e continuaram a caminhar, mesmo sem ver nada. Como dizia alguém, “eles não traíram a estrela”.

Por fim, quando chegaram a Jerusalém, ainda tiveram de suportar o olhar zombeteiro e os risos abafados dos que os acharam sonhadores, tolos ou fanáticos. O ambiente era hostil, tudo parecia um ridículo engano. Além disso, após acharem o Menino em Belém e adorá-lo felizes, foram obrigados a regressar por outro caminho, porque Herodes armou contra eles e o Menino uma emboscada traiçoeira (esse Herodes que, por temor doentio de ser destronado, assassinara a maioria das dez mulheres que teve e alguns dos seus filhos, e depois, iria massacrar as crianças inocentes de Belém).

Nada, porém, os abalou. Eles tinham comprovado a mensagem vinda do Céu, tinham adorado o Menino com uma indescritível alegria (cf. Mt 2,10). Isso lhes bastava.

Quando a luz de uma Verdade (com maiúscula), recebida ou conquistada tenazmente, é abraçada na mente sem permitir que se apague, o coração acaba sendo atingido pelo seu calor. Então, a vontade – a capacidade humana de querer e decidir – entra em ação. O homem honesto não despeja as verdades no arquivo morto da cabeça; ele faz – com  ajuda de Deus –, das ideias, ação; da verdade, vida prática.

Nós…fazemos assim?