A ESTRELA DOS MAGOS – 5: FALSAS ESTRELAS

As falsas estrelas

Os falsos sucedâneos

Já não se trata agora das pessoas que fecham os olhos por temor de ver, mas dos que encaram a estrela de frente para contestá-la e suplantá-la por uma estrela falsa.

Tenho conhecido uma porção de casos semelhantes ao case teórico que vou narrar a seguir. Leia-o com paciência.

Era uma vez um homem de firmes convicções, líder de um conhecido movimento católico, estimado por muitos como cristão exemplar.

Um dia corre a voz de que largou a mulher e foi viver com a secretária. A notícia provoca estupor e tristeza. A esposa era um anjo! Alguns dos mais chegados tentam aproximar-se dele, procurando ajudá-lo a retificar e a superar aquela cegueira momentânea. Recusa-se a conversar. Não atende a razões. Diz estar apaixonado pela secretária e que é inútil insistir porque não vai largá-la.

A crise, infelizmente, foi provocada – como a maioria das separações desse tipo – por brincar com fogo, por vaidade e egoísmo. Começa-se por “bancar o simpático”, por flertar, por não perder o happy hour acompanhado, por exibir-se, abrir-se em confidências…, e acaba-se como este caso acabou. Mas a história não terminou aí.

Passado algum tempo, os colegas acham o homem estranhamente mudado. Fala com altivez da sua “decepção” com a Igreja. Com ar magisterial, diz que descobriu a “verdade” numa das ramificações mais recentes da New Age, e que os católicos andam todos enganados. Aos que retrucam, responde arrogantemente que ainda estão na infância religiosa, e que teriam que estudar mais filosofia.

Ora, a verdade é que – além de ser ignorante em matéria de filosofia – simplesmente foi um fraco, não foi capaz de cortar uma tentação vulgar e primária. Caiu como um passarinho numa das arapucas mais prosaicas em que pode tropeçar a “carne fraca”. Seu orgulho, porém, era grande demais para reconhecê-lo. E, para se justificar, reinventou a religião. Caiu – para dizê-lo com palavras de Bento XVI – «no perigo de construir para si mesmo uma religião autofrabricada» (17/10/2012). Criou sua falsa estrela, que já não é a luz de Deus, mas a pirotecnia da conveniência pessoal.

Estrelas de cera

Essas morais à medida do nosso egoísmo, são como estrelas de cera com um pavio fraco e curto. Erguemos sua chama efêmera sobre o horizonte da vida e lhes damos o nome de “meus ideais”, “minha religião”, “minhas convicções”…

Essas “morais”, inconsistentes como a cera, com o correr dos anos quase sempre se derretem em lágrimas. «As pessoas – dizia São Josemaria em São Paulo – estão tristes. Fazem muito barulho, cantam, dançam, gritam, mas soluçam. No fundo do coração, só têm lágrimas: não são felizes, são desgraçados. E o Senhor, a vocês e a mim, nos quer felizes».

Se alguém tem essa tristeza, aconselho-o a meditar devagar o relato dos Magos (Mateus 2, 1-12). Por serem fiéis a uma verdade e a um bem, sofreram, duvidaram, tiveram que abnegar-se, sacrificar-se e lutar, mas o final dessa aventura de fidelidade se resume com estas palavras maravilhosas do Evangelho, que desejo para você e para mim:

E eis que a estrela que tinham, visto no Oriente, os foi precedendo até chegar ao lugar onde estava o Menino [Jesus] e ali parou. Ao verem de novo a estrela, alegraram-se com uma imensa alegria. Entrando na casa, acharam o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele o adoraram (Mateus 2, 9-11).

As palavras que o texto original do Evangelho usa para falar da alegria dos Magos ao alcançarem a meta do seu caminho, são as expressões mais fortes sobre a alegria que se encontram em toda a Bíblia.

Não acha que vale a pena viver de modo que a vida consista no encontro com a maior alegria que se pode imaginar? Os Magos podem ensinar-nos…