FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA (3)

Dever de formar a consciência

             Do que víamos no post anterior  – “Formação da consciência” (2) -, deduz-se a grave responsabilidade que temos de formar bem a consciência.

«A consciência deve ser educada e o juízo moral, esclarecido. Uma consciência bem formada é reta e verídica […]. A educação da consciência é indispensável aos seres humanos submetidos a influências negativas e tentados pelo pecado a preferir seu julgamento próprio e a recusar os ensinamentos autorizados» (CCE n. 1783). «A educação da consciência é tarefa para toda a vida» (Idem, n. 1784).

Como se educa a consciência?

1º)  = Com o conhecimento da Palavra de Deus, «luz para o nosso caminho», que deve ser assimilada na fé e na oração. = Com o exame da nossa consciência, confrontado com Cristo, seu amor, sua Cruz. = Tomando como guia o ensinamento autorizado da Igreja. = Acolhendo o exemplo e os conselhos de outros. = E invocando a assistência do Espírito Santo (cf. CCE n. 1785).

A consciência erra «quando o homem não se preocupa de buscar a verdade e o bem» (Const. Gaudium et spes, n. 16).

2º) Com a luta ascética para avançar nas virtudes, especialmente na virtude da caridade. Não é suficiente o conhecimento. Santo Tomás diz que é indispensável uma espécie de «conaturalidade [sintonia experimental] entre o homem e o verdadeiro bem» (S.Th. II-II, q.45, a.2; e VS n. 64). O que Camões chamaria “saber de experiência feito”. O Bem só pode ser bem “conhecido” quando praticado e saboreado: então a alma abre-se aos dons do Espírito Santo, que iluminam e aquecem.

«Se não se é humilde – dizia são Josemaria – é fácil chegar a deformar a consciência».

3º) Lutando seriamente contra as justificativas, que o orgulho sempre quer apresentar;  = contra a falta de sinceridade com quem pode nos orientar, = contra a vergonha de abrir-nos na confissão, etc.

4º) Lutando contra a cegueira causada pela tibieza e o hábito do pecado. Não sabes que és cego…, diz Cristo ao tíbio, no Apocalipse (Ap 3,17). A consciência erra – diz também a Const. Gaudium et spes –  «quando a consciência se torna quase cega em consequência do hábito do pecado»  (n. 16). E o Catecismo desenvolve esse pensamento: «O servilismo às paixões, a pretensão de uma mal entendida autonomia da consciência [orgulho]…, a falta de conversão ou de caridade podem estar na origem dos desvios do julgamento na conduta moral» (n. 1792).

As dúvidas de consciência 

A consciência, além de ser reta, deve ser certa.

Consciência duvidosa é a que não sabe escolher, distinguir entre o que é bom e o que não é: vacila perante a liceidade de fazer ou omitir alguma ação.

Chama-se dúvida positiva à que aparece porque se dão razões serias para duvidar. Dúvida negativa é a que se baseia em razões inconsistentes (deve ser simplesmente rejeitada).

Quando há uma dúvida positiva (p.e. sobre licitude de alguns meios de regular a natalidade), não é lícito agir sem antes esclarecê-la. Deve-se fazer o possível para sair da dúvida (o contrário seria desprezar a possibilidade de praticar um ato gravemente culpável contra a “lei” de Deus).

Meios? Consultar, estudar o assunto, refletir sinceramente na oração… Se a dúvida persiste, os moralistas aconselham a seguir a opinião mais segura ou, pelo menos, a solução mais provavelmente certa. Se existe um conflito de deveres, deve-se escolher o que traz consigo um mal menor.

= Uma dúvida doentia é a que padece a consciência escrupulosa. É escrupulosa a pessoa que vê ou teme pecado em tudo, que vê pecado onde não há, ou pecado mortal onde há só uma falta venial. Além da oração, o modo de superar essa dúvidas enfermiças é:

= Guiar-se pela doutrina sobre os pecado e as condições objetivas para que exista ou seja grave, procurando não se deixar arrastar por um falso peso psicológico da consciência. Precisa de matéria grave, plena advertência e consentimento deliberado.

= agir com a cabeça e não com o sentimento.

= obedecer o confessor ou diretor espiritual criteriosos.

= procurar assistência médica, pois muitas vezes o escrúpulo é um tipo de patologia psíquica, que não se dá apenas no campo moral.

Às vezes, esse afã de segurança próprio do escrupuloso, pode levar a outro erro de consciência, o chamado tuciorismo. É o caso da pessoa que, para se sentir segura, opta sempre pelo mais seguro e garantido, ainda que seja absurdo e exagerado. Por exemplo, se confessa de uma falta duvidosa apresentando-a como pecado grave, para “garantir” que não vai fazer uma confissão sacrílega.

A melhor solução é sempre obedecer a um diretor espiritual ou confessor piedoso e de reta doutrina.