“O santo do cotidiano” (2)

No dia 6 de outubro de 2002, são João Paulo II celebrou a solene Missa de canonização de são Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei. Na homilia dessa Missa frisou o aspecto central do ensinamento de são Josemaria: – todo cristão é chamado á santidade e ao apostolado no meio do mundo, pela santificação dos seus deveres cotidianos, familiares, profissionais e sociais.

. “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus” (Rom. 8, 14). Estas palavras do apóstolo Paulo, que ouvimos pouco antes nesta cerimônia, ajudam a compreender melhor a significativa mensagem da canonização de Josemaria Escrivá. Ele deixou-se guiar docilmente pelo Espírito Santo, convicto de que só assim poderia cumprir plenamente a vontade de Deus.

[…] O seu ensinamento também hoje é atual e urgente. O fiel, em razão do Batismo que o incorpora a Cristo, está chamado a manter com o Senhor uma relação vital e ininterrupta. Está chamado a ser santo e a colaborar na salvação da humanidade.

[…] “A vida habitual de um cristão que tem fé – costumava afirmar Josemaria Escrivá -, quando trabalha ou descansa, quando reza ou dorme, em todos os momentos, é uma vida na qual Deus está sempre presente” (Meditações, 3 de março de 1954). Esta visão sobrenatural da existência abre um horizonte extraordinariamente rico de perspectivas salvíficas, porque, também no contexto aparentemente monótono dos acontecimentos terrenos normais, Deus aproxima-se de nós, e podemos cooperar com o seu plano de salvação. Portanto, compreende-se mais facilmente o que afirma o Concílio Vaticano II, isto é, que “a mensagem cristã não afasta os homens da construção do mundo […], antes os obriga ainda mais a levá-la a cabo como a um dever” (Gaudium et spes, 34).

Elevar o mundo a Deus e transformá-lo a partir de dentro: eis o ideal que o Santo Fundador lhes indica, queridos irmãos e irmãs que hoje se alegram pela sua elevação à glória dos altares. Ele continua a recordar-lhes a necessidade de não se deixar atemorizar perante uma cultura materialista, que ameaça dissolver a identidade mais genuína dos discípulos de Cristo. Gostava de reiterar com vigor que a fé cristã se opõe ao conformismo e à inércia interior.

Seguindo os seus passos, difundam na sociedade, sem distinção de raça, classe, cultura ou idade, a consciência de que todos estamos chamados à santidade. Esforcem-se por ser santos, vocês mesmos em primeiro lugar, cultivando um estilo evangélico de humildade e espírito de serviço, de abandono na Providência e de estar constantemente à escuta da voz do Espírito. Deste modo, serão “sal da terra” (cf. Mt 5, 13) e brilhará “a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Vosso Pai que está nos céus” (ib. 5, 16).