Um itinerário espiritual

Um itinerário espiritual

Corria o mês de maio do ano de 1933. Um jovem arquiteto de Madri, Ricardo Fernández Vallespín, acabava de conhecer casualmente um jovem padre de 31 anos na casa de um colega ao qual ajudava dando aulas particulares de cálculo. À noite desse dia, anotou na sua agenda: «Hoje conheci um sacerdote jovem e entusiasta, que não sei por que razão penso que vai ter uma grande influência na minha vida». Esse sacerdote era Josemaria Escrivá, o fundador do Opus Dei.

Dias depois, Ricardo foi visitar esse padre, que conversou afetuosamente com ele, ajudou-o na sua orientação cristã e, a pedido dele, o atendeu em confissão.

«Lembro-me perfeitamente ─ testemunhou Ricardo anos mais tarde, sendo já sacerdote com longo histórico de vida e trabalho no Opus Dei ─, de que, antes da despedida, o Padre se levantou, foi a uma estante, tirou um livro que estava usado por ele e escreveu na primeira página, como dedicatória, estas três frases:

+ Madri ─ 29-5-33

Que procures Cristo

Que encontres Cristo

Que ames a Cristo»[1].

São Josemaria recolheu o núcleo desse episódio no n. 382 de seu livro Caminho: «Ao oferecer-te aquela História de Jesus, pus como dedicatória: “Que procures Cristo. Que encontres Cristo. Que ames a Cristo. ─ São três etapas claríssimas. Tentaste, pelo menos, viver a primeira?».

Esses três marcos da vida espiritual ─ aos quais são Josemaria acrescentava às vezes «que trates a Cristo» ─ deveriam ser vividos por nós como caminho normal de vida cristã.

[adaptação de um trecho do livro de F.Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de livros 2018

[1] Caminho-Edição comentada por Pedro Rodríguez. Ed. Quadrante, São Paulo 2016, p. 465