Procurar Cristo

 Por que buscais entre os mortos aquele que vive (Lc 24, 5)

 

Sabemos, pela fé, que Jesus está conosco todos os dias, até o fim do mundo (Mt 28,20). “Está conosco”, agora, porque está vivo e presente. «Não é Cristo uma figura que passou, não é uma recordação que se perde na história. Vive!»[1].

Ao amanhecer do domingo de Páscoa, as santas mulheres foram ao sepulcro onde haviam deixado o corpo de Jesus e ficaram espantadas porque viram o túmulo aberto e vazio; e  um anjo do Senhor, em vestes resplandecentes, disse-lhes: Por que buscais entre os mortos aquele que está vivo? (Lc 24, 5).

Essa mesma indagação pode ser dirigida a nós: Por que buscais entre os mortos aquele que vive?

«Cristo vive! ─. Esta é a grande verdade que enche de conteúdo a nossa fé»[2].

O cristianismo não é uma teoria bonita, nem uma doutrina sugestiva, nem a recordação de um grande mestre espiritual. É uma pessoa viva: Jesus de Nazaré. Ser cristão é, acima de tudo, ter uma relação pessoal com “alguém”, com Jesus.

Por isso, somos mais ou menos cristãos conforme seja a nossa relação pessoal com Cristo.

Quantos não se perderam em devaneios teóricos por não terem procurado conhecer, «ver» Jesus! E, assim, ou o esqueceram, ou ficaram com uma imagem falsa: um Jesus de perfil impreciso, uma bela figura sentimental, adaptada ao gosto do “consumidor”, mas vazia de conteúdo. Vale a pena ler o que escrevia são Josemaria, pois é possível que seja o nosso retrato:

«Esse Cristo que tu vês não é Jesus. – Será, quando muito, a triste imagem que podem formar teus olhos turvos… – Purifica-te. Clarifica o teu olhar com a humildade e a penitência. Depois… não te hão de faltar as luzes límpidas do Amor. E terás uma visão perfeita. A tua imagem será realmente a sua: Ele!»[3].

O mesmo santo vai nos dar uma pista para procurar com segurança o Jesus verdadeiro, e não uma ficção ou um sucedâneo dele: «Não entendo ─ costumava dizer ─ como se pode viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia»[4].

Grave bem isso, porque é aí, na Palavra e na Eucaristia onde sempre o encontraremos.

 

(Texto do livro de F. Faus: Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018

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[1] Caminho, n. 584

[2] São Josemaria Escrivá, É Cristo que passa, n. 102

[3] Caminho, n. 212

[4] É Cristo que passa, n. 154