Encontrar Cristo com coração limpo

Purificar as manchas do coração

Você já se viu nesses espelhos dos parques de diversões, que desfiguram a imagem, alongando-a, alargando-a, entortando-a?

O nosso coração é como um espelho. Se está estragado, as imagens da realidade ─ também a imagem de Cristo ─ refletem-se nele deformadas. «Os olhos veem pelo coração», dizia o Pe. Vieira.

A experiência nos faz perceber que, se o nosso coração é orgulhoso, não somos objetivos, vemos antes de mais os defeitos dos outros ─ os que os rebaixam ─ e não valorizamos as suas qualidades; se o nosso coração está lambuzado de sensualidade, só vemos carne consumível onde Deus vê filhos e filhas; se o nosso coração é preguiçoso, agiganta as dificuldades para justificar o descumprimento dos deveres; se o coração é tomado por vícios e hábitos egoístas, a doutrina moral vê-se como uma opressão.

Essas deformações ─ nossos vícios e pecados ─ deturpam o nosso conhecimento de Cristo e nos impedem de encontrá-lo. O coração deste povo se endureceu ─ dizia Jesus citando Isaías ─: taparam seus ouvidos e fecharam os seus olhos (Mt 13,15).

Jesus fala com tristeza dos corações manchados: Todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado (Jo 8, 34), está amarrado, acorrentado a si mesmo e ao Inimigo. Enquanto não reconhecemos humildemente as nossas infidelidades e não nos esforçamos, com a ajuda da graça, para purificar o nosso  coração, ficamos como prisioneiros numa masmorra escura.

O coração se purifica ─ líamos acima ─ com a humildade e a penitência.

Primeiro, com o humilde reconhecimento das nossas faltas, especialmente das que mais nos cegam, quer dizer, daquelas a que estamos mais apegados e menos dispostos a mudar.

É difícil? Sim. Mas todos podemos viver a experiência feliz do publicano que, batendo no peito num canto do templo, suplicava: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! E o Senhor o acolheu, e ele voltou para casa justificado (Lc 18,13-14).

Todos somos convidados a receber de Deus o abraço do perdão e a chuva de beijos e dons que o filho pródigo recebeu do pai, quando voltou, arrependido, para casa: Pai, pequei contra o Céu e contra ti… E o Pai: Façamos uma festa, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado (Lc 15, 20-24).

Para alcançarmos essa jubilosa experiência, o melhor caminho é:

─ habituar-nos a fazer todas as noites um exame de consciência sobre o dia que passou e, depois de agradecer as coisas boas do dia, pedir sinceramente perdão a Deus pelas faltas cometidas, e formular um propósito concreto de lutar contra elas, com a ajuda da graça;

─ adquirir ─ se ainda não o temos ─ o costume da confissão individual frequente, bem preparada, contrita e sincera.

Então, nossos olhos ficarão sempre fixos no Senhor (cf. Sl 24[25], 15), e veremos Jesus com uma luz nova (cf. Mt 11, 5).

A penitência é a resposta do amor arrependido ao amor de Deus ofendido, é um amor nosso que não fica só pedindo perdão, mas procura reparar os erros cometidos.

 

Do livro de F. Faus Procurar, encontrar e amar a Cristo, Cultor de Livros 2018