SEDE DE DEUS

OS SALMOS, NOSSO ESPELHO-1

SEDE DE DEUS

─ Como a corça anseia pela corrente das águas, assim anseia por ti a minha alma, meu Deus ─ A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando verei a face de Deus? (Salmo 42, 2-3)

─ A ti estendo as minhas mãos. Como  terra seca, anseio por ti. (Salmo 143, 6-7)

Quando, na solidão e no silêncio, conseguimos descer ao fundo de nós mesmos, não poucas vezes experimentamos uma inquietante sensação de sede: “eu desejo…o que nem sei, falta-me “algo”, algo de essencial; só sei que a minha vida está árida e incompleta…”

Na realidade trata-se sempre de uma sede de “algo mais”: sede de mais paz, alegria, amor, vida verdadeira, beleza, bondade…

– A nossa inteligência tem sede de luz, de verdade eterna

– O nosso coração tem sede de calor, de amor eterno

– A nossa vontade tem sede de uma realização que seja plena, eterna

Talvez nos aconteça o que Deus dizia ao profeta Jeremias a respeito do seu povo: Abandonou-me a mim, fonte de água viva, e cavou para si cisternas, cisternas rachadas que não servem para reter as águas (Jr 2,13).

Amor? Não, cisternas rachadas.  Luz na a alma? Não, dúvidas e neblina. Alegria? Não, tapumes para encobrir a tristeza…

É uma pena que não percebamos que passamos a vida morrendo de sede perto da fonte.

Sede de Deus. É a que sentia Santo Agostinho, no seu dramático caminho de conversão: «Fizeste-nos, Senhor, para ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em ti» (Confissões, 1,1).

Não acontecerá que você experimenta a sede amarga de quem constrói a vida fora do eixo? «O homem é capaz de Deus –, assim começa o Catecismo a exposição da fé cristã. E acrescenta: «O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar» (n. 27).

Leia uma história fantástica de sede e descoberta de águas vivas e etrnas no episódio do encontro de Jesus com a Samaritana, que São João narra no capítulo 4º do seu Evangelho. Uma vez lido e meditado esse texto, compreenderá por que Santo Agostinho dizia: «Deus tem sede de que nós tenhamos sede dele» (S. Agostinho, cit. em Catecismo, n. 2560). E tirará as suas consequências.