A ALEGRIA DE ADORAR E AMAR A DEUS

OS SALMOS, NOSSO ESPELHO-2

A ALEGRIA DE ADORAR E AMAR 

― Meu coração e minha carne alegram-se no Deus vivo (Salmo 84,3)

― Cantando os teus louvores, os meus lábios e a minha vida exultarão de alegria (Salmo 71,23)

«Adorar a Deus – lembra o Catecismo – é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Mestre de tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso» (n. 2096).

Descobrir Deus pela fé, adorá-lo e abraçá-lo pelo amor é uma experiência de alegria indescritível. Não há palavras que possam exprimi-la.

São Pedro, feliz ao contemplar a alegria dos primeiros que fazia pouco tinham abraçado a fé em Cristo, escrevia-lhes: Jesus Cristo…, sem o terdes visto, vós o amais; sem o ver ainda crestes nele e isso é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa (1 Pd 1,8).

Há muitos fulgores do júbilo da adoração, antigos e atuais, que refletem a «alegria inefável» do encontro amoroso com Deus, com Cristo. Não gostaria de que lembrássemos alguns?

― A mais bela alegria de todas é a de Nossa Senhora quando, trazendo já Jesus –Deus e homem verdadeiro – no seu seio imaculado, exclamava na casa de Isabel, inundada pela graça do Espírito Santo: «A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito exulta de alegria, em Deus, meu Salvador, porque olhou para a pequenez da sua serva. Eis que, desde agora, todas as gerações me proclamarão feliz, porque realizou em mim coisas grandes aquele que é poderoso e cujo nome é santo» (Lc 1, 46-49).

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― Nos nossos dias, é tocante o testemunho e André Frossard, jornalista ateu de nascença e criação que, num instante, enquanto fazia hora para aguardar um amigo, refugiado numa capela, foi tocado de improviso pela graça de Deus, e “o viu”, com uma fé indestrutível. «Recordo a minha alegria. Como poderia esquecê-la? Como esquecer o dia em que, numa capela subitamente rasgada de luz, se descobre o amor ignorado pelo qual se ama e se respira, em que se aprende que o homem não está só, que uma presença invisível o penetra, o rodeia e o espera, que para lá dos sentidos e da imaginação existe um outro mundo em comparação com o qual este universo material, por mais belo que seja e por mais atrativo que se apresente, não passa e vaga neblina e reflexo distante da beleza que o criou?

» É que há um outro mundo. E não falo dele como hipótese, como argumentação ou por ter ouvido dizer: falo dele por experiência».

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― São Josemaria Escrivá rezava na véspera de seu jubileu de ouro sacerdotal, poucos meses entes de dar o “salto”para a eternidade. A oração escapava-lhe em voz alta, diante do sacrário: «Senhor, que eu te procure, que te olhe, que te ame. Olhar é pôr os olhos da alma em Ti, com ânsias de compreender-te, na medida em que, com a tua graça, pode a razão humana chegar a conhecer-te. Conformo-me com essa pequenez. Quando vejo que entendo tão pouco das tuas grandezas, da tua bondade, da tua sabedoria, do teu poder, da tua formosura…, quando vejo que entendo tão pouco, não me entristeço: alegro-me de que sejas tão grande que nãop caibas no meu pobre coração, na minha miserável cabeça. Meu Deus! Meu Deus!… Mesmo que não saiba dizer-te outra coisa, já é bastante: meu Deus! Toda essa grandeza, todo esse poder, toda essa formosura…, minha! E eu…dEle!».

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― Provavelmente ninguém ouviu falar de Francis Angermayen, um soldado americano encontrado morto na Coréia, no buraco aberto por uma granada, em julho de 1944. Num dos bolsos do seu uniforme, foi encontrado um papel rabiscado na véspera, que dizia assim:

«Escuta, Deus, eu nunca falei contigo, mas agora quero te dizer: como vais?

Sabes, Deus, diziam-me que não existias e eu, coitado de mim, acreditava. Ontem à noite, estando à escuta no buraco que abriu uma granada, vi o teu firmamento…,  então compreendi que me tinham mentido…

»Deus, gostaria de saber se queres apertar a minha mão. Não sei…, mas eu sinto que me compreenderás.  Que esquisito! Precisei de vir aqui para contemplar o teu rosto!

»Bem, acho que não tenho muito mais a dizer. Só que estou feliz, muito feliz por ter te conhecido… Bem sabes que esta batalha vai ser qualquer coisa de horroroso e, quem sabe, talvez hoje à noite chegue à tua casa. Embora antes deste momento não fosse teu amigo, Deus, gostaria de saber se estarás me esperando à tua porta… Mas, se estou chorando, eu, derramando lágrimas. Gostaria de te haver conhecido faz muitos anos… Que estranho, desde que te encontrei já não temo mais a morte…».

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Depois de meditar nesses poucos testemunhos da “alegria inefável” de encontrar a Deus, você não sente vontade de rezar e de lhe dizer, com palavras de outro salmo: Mostra a teu servo a tua face, salva-me na tua bondade!  (Salmo 31,l7).