A estrela dos Magos

A ESTRELA DOS MAGOS

Tendo nascido Jesus em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos – homens sábios, conselheiros de reis – vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo”.

Viram a sua estrela e ela lhes indicou uma meta, assinalando um rumo: ir ao país dos judeus para adorar o Messias Rei. Fazia mais de mil anos que esse misterioso Rei universal havia sido anunciado pelos profetas, inclusive por um pagão, o amonita Balaão: Uma estrela sai de Jacó, um cetro levanta-se em Israel. Disso, no Oriente, muitos tinham ouvido falar. E os Magos sabiam.

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Vimos a sua estrela. Não foi nada fácil ver aquela estrela. Observaram a cintilação de uma estrela nova e começaram a pesquisar o que significava. Podiam ter deixado de fazê-lo, para não complicar a vida.

Quando descobriram o que era, para eles foi uma chamada, e não duvidaram em fazer tudo o que era preciso para seguir o que essa mensagem de Deus lhes indicava.

Lá do Presépio, Deus também parece dizer-nos: “Por acaso você pensa que não tem estrela? Será que você veio a este mundo por engano, sem finalidade nem missão alguma para cumprir?”

A nossa estrela é a nossa vocação – de casado, de mãe ou pai de família, de sacerdote, de mestre…–, que sempre nos pede cumprir uma missão. Quando descobrimos essa luz, fica claro o sentido da nossa existência

No momento em que um casal cristão, por exemplo, descobre que o seu casamento é uma chamada de Deus, é uma vocação, então a estrela. Em qualquer circunstância da vida, marido e mulher – se tiverem fé e boa vontade – poderão ouvir Deus que lhes diz: “Olhem para a estrela. Ela lhes marca o rumo. Deus conta com vocês. Sejam fiéis à sua estrela, aconteça o que acontecer!”

Seguir a estrela não é fácil, porque às vezes fica encoberta ou porque nos guia por caminhos difíceis. Assim aconteceu com os Magos. A estrela revelou-lhes o destino e meteu-os numa aventura exigente, mas depois desapareceu.

O caminho foi longo e áspero. Tiveram cansaço e hesitações, mas nada os deteve. Não traíram a estrela!

Quando chegam a Jerusalém, onde o rei dos judeus tinha o palácio, disseram simplesmente: Vimos a sua estrela e por isso viemos.

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Os Magos  julgavam ter alcançado a meta, mas ficaram assombrados quando comprovaram que lá em Jerusalém ninguém sabia de nada. Nem os sacerdotes, nem o rei Herodes, nem o povo. Apesar disso, não desconfiaram da estrela, da chamada de Deus.

Firmes na sua fidelidade, eles só se preocuparam de indagar dos sábios de Israel onde seria o lugar do nascimento do Messias anunciado pelas profecias.

Responderam-lhes que a  Escritura indicava Belém. Imediatamente para lá se encaminharam com a mesma determinação com que tinham saído de casa e enfrentado as asperezas do caminho.

Então, a estrela que tinham visto no Oriente os foi precedendo, até chegar onde estava o Menino, e ali parou. A aparição da estrela os encheu de profundíssima alegria.

Deus sempre cumula de alegria os que se esforçam por ser-lhe fiéis, especialmente se a fidelidade lhes custa sangue, suor e lágrimas. Deus lhes mostra então mais amor e lhes concede mil graças.

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Vimos e viemos. Isso faz pensar. Quantas coisas nos sugere o exemplo dos Magos! Peçamos a Maria e José – fidelíssimos à sua vocação e à sua missão −  que nos ajudem a ser homens e mulheres que sabem ver … e ir.

Tomara que sempre possamos dizer: “Estou fazendo isto ou aquilo, me comportando assim, vencendo essa crise ou esse cansaço, porque vi, eu vi mesmo a estrela e entendi a razão porque Deus me pôs no mundo. Quero seguir essa luz divina, custe o que custar, pois aí está a verdade da minha vida e a garantia da minha felicidade”.

 

Resumo do trecho de um capítulo do livro de F. Faus Contemplar o Natal