Os presentes dos Magos

OS PRESENTES DOS MAGOS

Conta o Evangelho que os Magos, depois de prostrar-se diante de Jesus, como ato de adoração e reconhecimento, abriram os seus tesouros, e ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.

Em cada presente podemos ver algum significado.

  • O ouro aos pés de Jesus, que repousa sobe a palha de um estábulo, nos diz: “Todo o ouro do mundo, ao lado de Jesus Menino, é pó. Todas as coisas materiais, se não nos levam a Deus, se não as usamos de acordo com o espírito de Cristo, para louvar e servir a Deus e amar-nos mutuamente, são lixo, um lamaçal em que nos atolamos; pelo contrário, se as orientamos para Deus, são caminho de santidade”.

Fazendo tudo por amor a Deus e ao próximo transformamos as coisas materiais, os deveres cotidianos, as pequenas coisas do dia, em ouro puro aos olhos de Deus.

  • O incenso que se queima e desaparece, enquanto se eleva em nuvens perfumadas, é um símbolo do amor que se dá sem reservas.

Quando se oferece incenso a Deus, é como se disséssemos: “Não há vida mais bela, não há coração mais belo, do que aquele que se queima – consumindo o bagaço do egoísmo – e se transforma em perfume oferecido a Deus”.

  • Também colocam mirra aos pés de Jesus. A mirra era muito valiosa, mas muito amarga. A Jesus, quando estava no Calvário, ofereceram-lhe uma bebida com mistura de mirra, como um narcótico que ele não bebeu, e a usaram também para embalsamar o seu corpo. Por isso, essa mirra foi vista desde os primeiros séculos do Cristianismo como um anúncio da Paixão.

Da parte dos Magos, talvez esse dom significasse profeticamente o agradecimento a Jesus pelo infinito amor com que ia morrer por nós na Cruz.

E sugere-nos também que o mistério da Cruz não pode estar ausente da vida do cristão, que devemos aprender a ofertar amorosamente a Jesus as nossas dores – aceitando a vontade de Deus – e os nossos sacrifícios voluntários.

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Após meditarmos sobre os presentes dos Magos, perguntemo-nos:  “E os meus presentes, quais são?” Para muitas pessoas, o Natal é visto só como tempo de compras e presentes. Nós deveríamos vê-lo, sim, como um tempo de “presentes”, mas acima de tudo de presentes espirituais: presentes da alma, que são os únicos que podem fazer aflorar um sorriso nos lábios de Jesus, Maria e José.

Que presentes da alma? Muitos oferecem a Jesus, nesses dias que antecedem ou que se seguem ao Natal, o esforço sacrificado por deixar uma gota de alegria em todos os corações que encontrarem; ou se empenham em realizar iniciativas que são atos de serviço,  pequenos ou grandes, com o fim de aliviar e alegrar pessoas carentes, desempregados, crianças, anciãos, doentes…, lembrando-se de que Jesus dizia: Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, é a mim que o fizestes.

Será que não podemos fazer mais alguma dessas coisas? Nesse Tempo de Natal, que se prolonga até a festa do Batismo do Senhor, perguntemo-nos isso enquanto ficamos junto de Maria e José olhando com amor para o Menino.

Ele também olhará para nós e, se continuarmos a contemplá-lo, abrirá no nosso coração uma fresta por onde vai entrar – para lá ficar, como um raio de luz − o espírito do Natal. Deus nos conceda a todos essa graça!