Oração: Como ouvir a Deus?

Fazer oração é falar com Deus. A Bíblia diz que Deus e Moisés conversavam como um homem fala com seu amigo (Ex 33,11). Jesus, que é Deus feito homem, conversava com os apóstolos, com Marta e Maria…, e os chamou de amigos (Jo 15,15).
Você sabe que os verdadeiros amigos (que não são muitos) falam com confiança, de alma aberta. Sabem escutar um ao outro, contam-se o que trazem no coração, abrem-se com plena sinceridade. Assim deveria ser a nossa oração, ou seja, a nossa conversa com Deus.
Mas você talvez me diga: «Eu falo com Deus, melhor ou pior, mas falo. Falo –em voz alta ou mentalmente –sempre que rezo: Pai nosso! Jesus, eu te amo!, etc. Não digo que seja fácil rezar de verdade, mas o que não sei mesmo é como posso ouvir a Deus. Em que consiste ouvir a Deus?».
Boa pergunta e, além disso, muito importante. Porque a oração deve ser diálogo e não monólogo: não dá eu achar que falo com Deus, se só falo e escuto a mim mesmo.
Sobre o modo de ouvir a Deus, as condições do coração para ouvir a Deus, a certeza de que o escutamos a Ele e não a nós mesmos, etc, há muitas coisas interessantes a dizer, coisas que – se Deus quiser –, procuraremos meditar em outras páginas desta «Iniciação à vida espiritual». Mas, para começar, vale a pena adiantar umas poucas dicas práticas:
1) Primeiro, pense que só escuta quem quer escutar, ou seja que a primeira condição é desejar que Deus fale ao nosso coração; não há pior surdo que o que não quer ouvir.
2) Em segundo lugar, veja claramente que não se trata de pedir milagres: não vamos pretender que Deus apareça e nos fale ao ouvido com palavras sonoras. Deus, como diz o profeta Oséias fala ao coração (Os 2,14).
3) Mas, mesmo sem o som das palavras, Deus, que sempre nos vê, nos ouve e nos ama, tem muitos modos de nos falar ao coração. Lembraremos agora só alguns, tendo em conta que “esses” modos serviram a muitos santos para ouvir coisas decisivas, maravilhosas, que Deus lhes comunicava:
a) Como diz a Carta aos Hebreus, Deus que, ao longo da história, falou muitas vezes e de muitos modos, pelos profetas, nestes dias (que duram até que o mundo acabe) nos falou por meio do Filho, por meio de Jesus (Hebr 1,1-2). Onde é que ouviremos o que Jesus nos diz, a você, a mim? Nas páginas dos quatro Evangelhos. Leia-os devagar, um trechinho todos os dias (outro dia falaremos mais sobre o modo de fazer isso). Leia devagar, com atenção, e pense: é uma carta íntima, confidencial, que Deus escreveu para mim; sempre me dirá alguma coisa;
b) Deus diz-nos muitas coisas por meio dos bons livros espirituais cristãos. Sugiro começar a ler, devagar, o livro Caminho, de São Josemaria Escrivá (também veremos, em outra ocasião, como fazer bem essas leituras);
c) Fala-nos ainda Deus, e de modo muito especial, por meio das inspirações do Espírito Santo: bons pensamentos que nos sugere, bons sentimentos, luzes espirituais que de repente mostram solução para problemas, alertas interiores sobre os nossos caminhos errados. São inspirações que captamos claramente e que, para serem autênticas, devem ter as três seguintes características: –que não vão contra a santa lei de Deus, –que sempre nos impulsionem a amar mais a Deus e aos outros, – e que deixem a alma cheia de paz.
d) Finalmente, Deus se utiliza, para nos falar, dos conselhos de pessoas boas, de bons cristãos bem formados, que têm doutrina e trato íntimo com Deus. Nós notamos, no fundo da alma, quando esses conselhos estão «na linha de Deus» e não na linha egoísta do que «nós queríamos ouvir».
Por hoje, fiquemos com estas reflexões. Há muitas outras que iremos fazendo, se Deus quiser, em novas páginas desta «Iniciação à vida espiritual».
Pe. Francisco Faus

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