Amar a Missa: V – Ação de graças

Ação de graças depois de comungar

            Receber Deus! Receber Jesus, «verdadeiro Deus e verdadeiro homem»! Pode haver um dom maior?

            Por isso, as almas que vivem da fé sempre sentiram a necessidade de dedicar um tempo mais ou menos longo a recolher-se após a Missa e a Comunhão (tanto se foi recebida na Missa, como em outro ato eucarístico, ou em casa por doença ou num hospital…); a recolher-se para se compenetrarem da realidade inefável da presença de Cristo dentro de si, e agradecer-lhe esse dom divino.

            Deixe-me dizer-lhe algo que você nunca deveria permitir-se, salvo em casos de urgente necessidade: comungar e, logo depois, ir embora ou ficar se distraindo, com o pensamento aéreo ou com conversas na igreja (ou na saída da igreja: na realidade, se tem tempo de conversar na saída, isso quer dizer que teria tido tempo de dar graças antes de sair).

            Vendo certos descuidos e indelicadezas nesta matéria, compreende-se o que fez em certa ocasião São Filipe Neri. Uma boa mulher, depois da comunhão – que o santo lhe tinha administrado -, saiu diretamente para a rua. São Filipe mandou então dois coroinhas paramentados acompanhá-la com velas acesas, um de cada lado, durante todo o seu trajeto; era isso o que se fazia, durante muitos séculos, quando o padre andava pela rua com o Santíssimo Sacramento para levar a comunhão a um doente ou, como Viático, a um moribundo.

            Você deve ter reparado que, em algumas Missas, o celebrante se senta na sede, depois de distribuir a comunhão, e fica em silêncio por cinco ou mais minutos. Não é obrigatório fazer isso, mas, quando é possível, esse «silêncio sagrado» – como o  chama a Liturgia – facilita muito a ação de graças dos fiéis. Quando não há, ou não é oportuna, essa pausa dentro da Missa, você deveria permanecer na igreja após a Missa (melhor se fica primeiro uns instantes de joelhos) e dedicar pelo menos de cinco a dez minutos a dar graças a nosso Senhor: fale com Jesus, como se fala com o pai, a mãe, um irmão, um grande amigo!

Sugestões para fazer uma boa ação de graças

            Não quero indicar-lhe “fórmulas” fixas para esses minutos de ação de graças, mas, apenas a título de exemplo, posso dar-lhe algumas sugestões:

            a) Acho que é bom começar a ação de graças fazendo alguns atos de fé, de amor e de adoração. Por exemplo: «Jesus, sei que estás aqui comigo, eu te amo, te adoro, te dou graças por teres vindo a mim». «Renovemos – dizia São Josemaria – o oferecimento sincero do nosso amor; digamos-lhe sem medo que o amamos; agradeçamos-lhe esta prova diária de misericórdia, tão cheia de ternura, e fomentemos o desejo de nos aproximarmos da comunhão com confiança. Eu me surpreendo diante deste mistério de Amor: O Senhor procura como trono o meu pobre coração, para não me abandonar se eu não me afasto dEle» (É Cristo que passa, n. 161).

            b) Procure depois falar com Ele, dizer-lhe coisas íntimas – às vezes serão desabafos – com simplicidade.  Repito, com simplicidade, porque com Deus não devemos fazer «discursos». É melhor uma brevíssima expressão carinhosa, ou um ato de agradecimento sempre repetido, ou contar a Nosso Senhor o que nos acontece, antes que fazer uma espécie de floreio retórico;

            c) Pode acontecer que, algumas vezes, sinta dificuldade em fazer o que sugiro acima. Nestes casos, costuma ser uma boa ajuda ler em silêncio (dizendo por dentro as palavras com a maior atenção) algumas das «Orações para depois da Missa», ou «Orações depois de comungar», que se encontram em quase todos os devocionários ou folhetos de orações do cristão.

            Há várias orações de ação de graças tradicionais, antigas, que muitos santos e católicos piedosos recitaram ao longo de séculos: por exemplo, a oração a Jesus Crucificado, a oração «Alma de Cristo», a oração de S. Tomás de Aquino, a do Papa Clemente XI, as orações a Nossa Senhora e a São José, as orações de Santo Afonso para cada dia da semana, etc. Não se preocupe se, em dias em que a cabeça anda cansada, só consegue ficar lendo essas orações. Os santos as usaram… e fizeram-lhes muito bem!;

            c) É natural também que, nesses minutos de intimidade com Jesus, você lhe peça as coisas que mais deseja. São Josemaria dizia que não nos devemos preocupar se «na ação de graças depois da Comunhão, a primeira coisa que te vem aos lábios, sem o poderes evitar, é a petição: – Jesus, dá-me isto! Jesus, aquela alma; Jesus, aquela atividade…». Isto – comenta o santo – é o que fazem as crianças: «o garotinho mete as mãos no bolso do pai, à procura de guloseimas, antes de lhe dar o beijo de boas-vindas» (Caminho, n. 896). Afinal, não se esqueça de que nós somos crianças diante de Deus;

            d) Depois, ao longo do dia – ou à noite, se comungou de tarde -, não se esqueça de lembrar que recebeu Jesus, e de lhe agradecer de novo algumas vezes com um rápido «pensamento do coração». E não duvide de que o melhor agradecimento será – como consequência do anterior – corresponder à graça recebida com atos e de verdade (1 Jo 3,18), procurando «que os nossos pensamentos sejam sinceros: de paz, de entrega, de serviço; que as nossas palavras sejam verdadeiras, claras, oportunas: que saibam consolar e ajudar, que saibam sobretudo levar aos outros a luz de Deus; que as nossas ações sejam coerentes, eficazes, acertadas: que tenham o bom odor de Cristo (2 Cor,2,15)» (É Cristo que passa, n. 156). Enfim, que na vida diária se note que recebemos a nosso Senhor.

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