PRUDÊNCIA: NO CASAMENTO

PRUDÊNCIA E IMPRUDÊNCIA NO CASAMENTO

Por que fracassam tantos casamentos? Não pretendo citar as principais causas, mas só algumas básicas, decorrentes da falta de prudência. Pode ilustrar isso uma parábola do Evangelho.

Na parábola das “dez virgens” – como é tradicionalmente designada – Jesus focaliza um costume dos casamentos da época. Um grupo de moças, amigas da noiva, iluminavam à noite o cortejo nupcial. Para tanto, cada uma trazia uma lâmpada de óleo, mais uma pequena vasilha de reserva.

Na parábola que agora evocamos, as moças eram dez: cinco sensatas e cinco avoadas. Essas últimas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram consigo o óleo de reserva. Como é de praxe, os noivos se atrasaram, e as todas as moças começaram a cochilar. À meia-noite ouviu-se um brado: “Aí vem o esposo, ide ao seu encontro!” Despertaram todas e aprontaram as lâmpadas. As imprudentes disseram às sensatas: “Dai-nos do vosso óleo, que as nossas lâmpadas se apagam”. Mas não havia o suficiente. Tentaram comprá-lo mas, quando regressaram, a sala do banquete já tinha as portas trancadas. Bateram e não foram aceitas: Não conheço vocês, respondeu uma voz lá dentro (cf. Mt 25, 1-12).

Que lhe diz essa parábola? É o retrato das pessoas que sonham, que vibram com seu sonho – pensemos concretamente no casamento –, que preparam, longa e cuidadosamente  tudo o que é material e secundário, como as cinco moças insensatas prepararam vestido e penteado, mas se esquecem de aprontar o imprescindível. Quando chega a hora sonhada, encontra-as sem chama, sem luz. Ficam no escuro e nele se perdem. Poucos anos depois do casamento não sabem mais o que querem nem aonde vão parar.

A conclusão é clara. Não basta a boa vontade, a emoção, o sentimento, etc. etc., para que o amor amadureça e dure. Além da formação espiritual e da graça de Deus, é preciso, no mínimo, preparar-se:

─ cultivando a amizade entre os dois. Se, no namoro e no noivado, eles só cultivam paixão, prazer e planos gostosos, não se conhecem; enganam-se com carinhos, festas, arrebatamentos e fumaças coloridas.

O namoro cristão é sábio: valoriza o mútuo conhecimento e a reflexão serena muito acima da paixão. Por isso, eu lhes diria : “Não façam como os namorados que se atiram estupidamente à embriaguez sensual. Vivam a castidade, delicada e sacrificada, que valoriza e torna o amor mais firme e estável, e não o reduz a um bem de consumo, que se gasta e pouco depois se joga fora”.

─ “Dediquem mais empenho e mais tempo a conversar – diria também –, a trocar ideias, a conhecer bem o pensamento um do outro – para perceber se é superficial, vazio, frívolo, egoísta; ou é idealista, profundo, generoso, disposto ao sacrifício necessário para construir um ideal de família e de amor verdadeiro … – ; dediquem tempo a planejar juntos essa construção (tijolo a tijolo!), sem ansiedade nem pressa afobada, degrau a degrau, doação a doação, renúncia a renúncia, aprendendo a achar a sua maior alegria na alegria que procuram dar ao outro…”

─ Além disso (que não passa de uma síntese parcial e breve), procurem adquirir uma formação sólida sobre o matrimônio e a família. Não bastam breves cursos de noivos de fim de semana. Fazem falta semanas e meses de leitura, estudo e preparo sistemático, contando com o aconselhamento de casais experientes e exemplares. Há entidades dedicadas à família, que já oferecem cursos de alto padrão e eficiência [1].

─ Não digam que não têm tempo, porque isso de “não ter tempo” é uma história da carochinha. Não é questão de tempo, mas de vontade, de “querer”. E esforcem-se para que nunca se lhes possa aplicar aquela sentença desoladora: «Viveram sem se conhecerem, e morreram sem se amarem».

 

[1] Procure, por exemplo, Instituto Brasileiro da Família (IBF) no Google, e a ADEF (Associação para o desenvolvimento da família).